Dos “Nomes Feios” & dos Palavrões

“Noite de sábado solitária, inspirado pelo blog da minha querida Cortezolli ( http://cortezolli.blogspot.com/2011/02/quanto-o-sexo-e-importante-para-voce.html?spref=fb)”

Nós […] usamos a palavra “foda” e suas variações mais vezes por dia do que os cães latem. O triste é que utilizamos termos relativos ao prazer principalmente para expressarmos raiva ou frustração em relação aos outros. Raramente eles são usados de um modo engraçado ou sensual.

[…] Quando eu era garoto, a pior forma que conhecia para insultar outra pessoa era chamá-la de “cara de xoxota”. […] no Brasil, por exemplo, quando alguém é considerado bobo, fraco ou otário, é logo chamado de babaca – palavra que significa xoxota.

Por que nossa cultura associa covardia com o sexo feminino, ou com a posse de genitais femininos? E por que desejaríamos tirar o mérito dos genitais pelos quais muitos de nós delirávamos (e ainda deliramos) por tocar e conhecer mais a fundo? Que outras brincadeiras de mau gosto nossa sociedade costuma fazer?

[…] Warren Johnson, um pesquisador norte-americano, estudou o uso de gírias por meninos e meninas de oito anos de idade. De acordo com ele, a expressão favorita das crianças americanas, quando seus pais não podiam ouvi-las, era o equivalente a “seu puto, chupador, cara de bunda” […].

De particular interesse, para o pesquisador,  foi a observação de meninas gritando “vem chupar meu pau, vem!”, para outras crianças que as incomodavam. Se uma menina precisa utilizar essa linguagem sexual para xingar alguém, deveria então usar algo mais correto em termos anatômicos, como “vem aqui, chupar minha xoxota!…” Pelo visto, em nossa sociedade, os indivíduos de oito anos já sabem que o modo certeiro de insultar alguém é dizendo-lhe para assumir o lugar da mulher, quando esta tem relações sexuais. Daí, conclui-se que termos como “chupador!” e “vá se foder!” querem, na verdade, dizer: “Você é a mulher no sexo, seu babaca inútil!”

É difícil compreender como algo tão doce e delicioso, como o sexo, pode estar ligado à raiva ou frustração. É igualmente difícil compreender por que ser a mulher, no sexo, é digno de comentários pejorativos.

[…] O que acontecerá quando a menininha sobre quem acabamos de falar for para a cama com alguém? Como podemos esperar que goste de executar os mesmos insultos que nossa sociedade ensinou-a a gritar para outros? Será que exigirá que o namorado jure amor e adoração eternos antes de ela “chupar seu pau”? sentirá o gostinho da vingança forçando-o a dar-lhe coisas ou extraindo dele as mais variadas promessas? Será que a garota usará o sexo como uma mercadoria, uma arma ou um modo de obter segurança? Aprenderá a esconder sua sexualidade, ou talvez nem mesmo perceba sua existência? Será que ela transformará os homens em objetos sexuais? Igualmente desconcertante é o que esta atitude faz com os meninos. A mensagem é que você fode ou se fode – com o primeiro estando associado a vencer, e o último, a perder. Isto transforma o sexo em façanha ou competição.

[…] As religiões ocidentais jamais se saíram bem com a noção de mulheres e sexualidade. […] Não é preciso ser muito religioso para saber que, quando tem seu primeiro intercurso sexual, o menino torna-se um homem. Uma menina que tenha intercurso, porém, perde sua virgindade e deixa de ser pura como a neve imaculada – presumindo-se que fosse antes do sexo, obviamente.

[…] Essas imagens negativas exigem que as mulheres neguem seus próprios desejos sexuais, para não acabar batendo às portas do céu cedo demais […].

Mesmo hoje em dia, algumas pessoas ainda equacionam a reputação pessoal de uma mulher com seu apetite por sexo. Se o seu impulso sexual é baixo demais, é considerada fria ou frígida. Se demonstra desejo demais […] é considerada “fácil”, “vagabunda”, “piranha” ou “ninfomaníaca”. […] Homens jovens podem exibir sua sexualidade à vontade, mas mulheres jovens aprendem a regular seus desejos com cuidado. De outro modo, se arriscam a ser chamadas por palavrões.

OBSERVAÇÃO: Paradoxalmente, as mulheres muitas vezes são as primeiras a chamar outras de vagabundas ou piranhas. A teologia que denigre o sexo feminino pode ter sido escrita por homens terrivelmente chauvinistas, mas suas praticantes mai cruéis quase sempre são as próprias mulheres. […]

[…] O treinamento para ser uma gatinha indefesa começa cedo. Com muita frequência, o primeiro passo é fazer com que as meninas aprendam, desde uma idade precoce, que são mais frágeis que os meninos. Depois, anúncios em revistas femininas difundem a crença de que não há nada sexy no corpo feminino, a menos que esteja modelado pelas academias e complementado por perfume e saltos altos.

Nossa sociedade raramente incentiva meninos e meninas a valorizarem e se respeitarem uns aos outros. Com maior frequência, os meninos aprendem a proteger as meninas porque essas são, supostamente, fracas e delicadas – e muitas delas ainda aprendem que seu valor é determinado por sua capacidade de causar desejo no sexo oposto. […]

[…] O termo “preliminares” foi inventado por pessoas que escrevem livros sobre sexo. Preliminares são o que você supostamente deve fazer para deixar a mulher úmida o suficiente para que os dois tenham uma boa transa. Pode parecer estranho ver a palavra “preliminares” mencionada aqui como um palavrão, já que os homens carinhosos e envolvidos no relacionamento são incentivados a adotar este conceito. Ainda assim, não há nada de carinhoso quanto à premissa subjacente das preliminares: sugere que as mulheres são lentas e precisam ser aquecidas antes de desejar agir sexualmente. […] É isso mesmo?

A maior parte dos livros sobre sexo se esquece de mencionar que uma mulher pode gozar com a mesma rapidez ou tão devagar quanto um homem, ao masturbar-se. Talvez o problema não seja tanto o fato de as mulheres terem um período mais lento de aquecimento, e sim a noção em que as preliminares parecem implicar. Talvez o verdadeiro problema seja o conceito de sexualidade em nossa cultura, na qual ser mulher (isto é, “ser fodida”) é um insulto comum; na qual “traçar alguém” faz com que um menino sinta-se homem; e na qual respeito, amizade e carinho não são condições necessárias para o sexo.

Infelizmente o conceito de preliminares implica que a ternura é pouco mais que um posto de pedágio na imensa auto-estrada para o intercurso. Isso é um absurdo. Beijos ternos e carícias não precisam ser seguidos por intercurso para justificar sua importância ou necessidade. Eles têm a mesma importância que o intercurso, se não mais. Se você não consegue compreender a noção  de preliminares, tente pensar nelas como tudo o que aconteceu entre você e o outro desde a última vez que tiveram sexo. Às vezes, a forma como se tratam quando estão vestidos tem mais impacto sobre o que acontece na cama do que beijos cuidadosamente plantados, exatamente antes de fazer sexo. Isto é verdade tanto no que se refere ao modo como as mulheres tratam os homens, quanto à forma como eles as tratam.

[…] por que se dar ao trabalho de pensar nisso, afinal? Como podemos não pensar, se levamos esses conceitos conosco para a cama, quando estamos com nossos parceiros? Isso é o que nos impede de sermos felizes[…].

Do livro Tudo Sobre Sexo, de Paul Joannides

JOANNIDES, Paul. Tudo sobre sexo: criativo, educativo e sexy! / Paul Joannides; tradução de Dayse Batista. – 2 ed. – São Paulo: Editora Landscape, 2005.

10 Respostas para “Dos “Nomes Feios” & dos Palavrões

  1. Aline Pacheco ⋅

    “Se você não consegue compreender a noção de preliminares, tente pensar nelas como tudo o que aconteceu entre você e o outro desde a última vez que tiveram sexo. Às vezes, a forma como se tratam quando estão vestidos tem mais impacto sobre o que acontece na cama do que beijos cuidadosamente plantados, exatamente antes de fazer sexo”.

    ISSO FOI FODA! (No sentido enfático de ser bom)

  2. cortezolli ⋅

    Olá, Mestre!
    Li seu texto logo de manhã, mas achei que não estava inspirada para comentar tanta sutileza na abordagem de um assunto ainda delicado. Acredito que muito de nossa criação reflete quem somos, obviamente que conforme assimilamos informações e apreendemos lições na vida, às vezes da pior forma, nosso jeito de pensar muda. Que bom que isso acontece, não somos “programados”, evoluímos ou “involuímos”. Quando falamos sobre sexo e levamos o assunto a sério (porque falamos a todo o momento, rsrs), às vezes nos surpreendemos com as doses de preconceito tão latentes em nossas visões de mundo.
    As mulheres perderam muito do amor romântico, as ilusões com as quais foram orientadas em outros tempos, hoje as “moças chegam chegando e mostram qual é”… Os galanteios dos rapazes se perderam no tempo, devem ter ficado nas várias janelas abertas do msn onde utilizam o control + c e control v, acredito que por pura preguiça. Dá trabalho conquistar… e ainda pegam gente. Tudo se tornou feio, porque dá trabalho se envolver.
    Atribuo parte da culpa às mulheres é claro. Nessas de parecer moderninhas quando o cara diz que vai ligar e não liga, ou elas morrem retornando ou quando finalmente ele mostra a cara de pau sem mais desculpas, elas logo vão abrindo as pernas e tudo fica bem. Não existe mais respeito, amor próprio, então ficou demodê. Parecem bichos no cio e ponto.
    Concluo com a involução da espécie, devo descobrir como voltar para o meu planeta “Paranóicusensitivosdeliriusnatos”, lá as pessoas precisam se amar muito, depois fazem sexo por prazer e quem sabe um dia, possam amar outra pessoa.
    Os textos estão ficando ainda mais provocadores, daqui a pouco não teremos palavras para comentar. Rsrsrs
    Beijo grande!

    • silviocarneiro ⋅

      Então, quando não mais houver palavras para comentar, a gente vai pro seu planeta e… “vou te comer, vou te comer, vou te comer, vou te comer…” kkkkkkk

  3. Narah ⋅

    Concordo com a nossa amiga lá em cima.Também culpo as mulheres,por serem bobas e se entregar para qualquer um que lhe apareça a frente. Parece ate que nunca viram um homem na vida.

  4. Claudia Carvalho ⋅

    Li e ainda vou comentar. Tô com palavras entaladas na garganta…rsrsrs.
    Um bocado de “ñ concordo”, um pouco de “concordo em parte” e umas perguntas que deixam qualquer um… “puto da vida”! Deixa só passar o efeito do alcool pq tem dois teclados na minha frente…kkkkkkk
    xeruuuuuuu!

    • silviocarneiro ⋅

      Pois tome vergonha na sua cara, cure essa cachaça e volte pra colocar seus comentários. Vc sempre traz boas contribuições pra esse espaço! Bjo grande!!!

  5. angelo ⋅

    Cara vc é muito bom!…Há muito tempo atrás eu pensava desse mesmo jeito que vc sobre esse assunto,e agora parei pra ler isso.Concordo com tudo,ate as próprias mulheres acabam aceitando essa cultura e elas mesmas se esculhambam estre si e ate quando estao com raiva,falam palavras como va se fuder… Ou seja elas mesmas concordam com essa cultura que inferiorizam elas,ja que elas proprias falam esses termos que são pra depreciar elas… Todas deviam se unir e nao falar essas palavras e exigir igualdade nesse quesito,mas nossa sociedade é muito desunida! Muito inteligente o texto,fala a realidade!Vlw

  6. KYT

    SO PEGAR SEU PINTO E BOTAR NA BUNDA

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