Por toda minha vida…

Nada mais justa a atitude da Rede Globo de Televisão em ter produzido um documentário sobre Raulzito!

Tudo bem, que o principal objetivo da emissora com esse programa “Por Toda Minha Vida” seja apenas alavancar os índices de audiência de sua decadente grade de programação. E já nessa curta história do programa, o que foi exibido ontem (03/12) sobre Raul Seixas já saiu disparado como recorde de audiência não só em relação às outras edições do programa (que já trouxeram figuras importantíssimas como o Chacrinha, Tim Maia e Cazuza), mas líder de audiência também com relação às outras emissoras.

O programa sobre o Maluco Beleza chegou aos 24 pontos de audiência (cerca de 73% dos aparelhos de TV brasileiros pararam ontem para embarcar nas asas da Metamorfose Ambulante).

Como fã incondicional do Raul, eu comecei a assistir ao programa com uma certa reserva crítica, achando que tudo seria “mais do mesmo”, com aquelas velhas mentiras e demagogias do Paulo Coelho e a velha trilha sonora batida dos “hits legais” de Raul…

Devo dizer que, se eu costumasse usar chapéu, eu tiraria o meu para o programa que foi muito bem escrito e produzido.

Começo parabenizando a produção do programa (desde os roteiristas que fizeram um ótimo trabalho de pesquisa e souberam, como poucos, pescar obras primas de um Raul que poucos fãs ocasionais do mestre conhecem).
Parabenizo o ator Julio Andrade que fez um trabalho impecável, graças ao seu talento para fazer um sotaque baiano natural e um timbre de voz muito parecidos com o de Raul e também a um excelente trabalho de caracterização e figurino.

E, finalmente, adorei as entrevistas – inclusive a do “Herry Potter” brasileiro, que se mostrou bastante humilde e soube se manter no seu lugar (o de carona!), ao contrário de outras entrevistas dele que eu assisti (e especialmente uma que eu mesmo fiz com ele…).

Fiquei realmente emocionado com as entrevistas de Plínio (irmão caçula de Raul) e de suas filhas Simone, Scarlet e Vivian, que mostraram o lado humano do mito. E a entrevista de seu último grande amor Ângela “Kika” Seixas – talvez a pessoa que mais segurou a barra para Raul na sua fase mais trash…

Desde 1965, muito antes de Raul formar sua primeira banda, a Rede Glogo já era “parceira” dos militares que fizeram a ditadura no Brasil.

Consequentemente, desde o início da carreira artística de Raul em 73, que a emissora não via o artista com bons olhos e Raul quase nunca encontrava espaço para divulgar seus trabalhos. A não ser pelas mãos do seu saudoso amigo Augusto Céasr Vanucci, na época produtor do Fantástico e do programa “Arca de Noé”, onde Raul lançou “Plunct-Plact-Zum!”.

Lembro que até mesmo no dia de sua morte (em 1989), a emissora fez uma materiazinha muito insípida sobre o seu velório.

Agora, 20 anos depois, ela finalmente se redime (em parte!) com esse belo reconhecimento.

Viva Raul!
E viva a Sociedade Alternativa!

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