Paixão

Segundo os dicionários, paixão se origina do verbo latino patior, que significa “sofrer ou suportar uma situação dificil”.

É considerada uma emoção de ampliação quase patológica do amor.

Quando uma pessoa está acometida desse sentimento, perde sua individualidade em função do fascínio que uma outra pessoa exerce sobre ela.

É tipicamente um sentimento doloroso e patológico, porque, via de regra, o indivíduo perde a sua individualidade, a sua identidade e o seu poder de raciocínio!

Pode-se dizer que a paixão é uma coisa mais passageira que o amor, pois, sendo uma patologia deste, com o passar do tempo e sendo rompido o véu da idealização do outro, cai-se na realidade, tranformando-se a paixão em amor, ou nada restando do sentimento afetivo.

Estudos psicológicos indicam que a paixão raramente ultrapassa um período médio de três anos.

A paixão, quando completamente correspondida, causa grande felicidade e satisfação ao indivíduo apaixonado. Por outro lado, qualquer dificuldade para atingir essa plenitude pode trazer grande tristeza, uma vez que o apaixonado só se vê feliz ao conseguir o objeto de sua paixão.

A paixão, apesar de intensa e arrebatadora, é um sentimento passageiro. Adolescentes estão mais sujeitos a apaixonarem-se, devido ao pouco conhecimento de mundo entre outras coisas, o que não significa que pessoas de maior idade não estejam passíveis de tal sentimento. O que ocorre é que a pessoa adulta, por ter maior conhecimento de mundo, por ter vivenciado maiores experiências, não estará tão sujeita a perder a razão e deixar-se dominar pelo peso do sentimento.

Paixão é carência, sinônimo de fraqueza. É um sentimento de desejar e querer, a todo custo, o amor de outro ser. É a necessidade de ver e tocar a pessoa pela qual se apaixonou. Deste modo, a paixão pode ser entendida como um “vício” que debilita a mente do individuo, pois este foca somente a pessoa amada nos seus pensamentos sendo todos os outros momentâneos e irrelevantes.

Por tudo isso, não deveríamos nos apaixonar. Porém, que graça teria a vida se fôssemos apenas racionais? Afinal, concordo com o poetinha Vinícius de Moraes, que dizia: “Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não!”

Se paixão é sinônimo de sofrer, que se sofra! Pois a vida, na maioria das vezes, nos ensina através do sofrimento.

Se é uma doença, então que se convaleça! Só assim criamos resistência!

Se o preço a pagar é perdemos nossa individualidade, que se pague esse preço. Afinal, ao nos doarmos de corpo e alma para alguém, passamos a nos conhecer melhor.

E se é uma coisa passageira, qual o problema? Afinal de contas, a própria vida é passageira. Seria um desperdício passarmos pela vida apenas deixando que ela passasse por nós, distante…

Portanto, da próxima vez que, na presença de alguém, você sentir uma leve tontura; um nó na garganta; um frio que percorre a espinha e faz seu corpo tremer; uma batida mais acelerada do coração… Renda-se! Pois paixão, independente do que dizem os dicionários ou as ciências exatas, é sinônimo de vida e, como tal, deve ser vivida em plenitude!

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2 comentários sobre “Paixão

  1. Eu estou apaixonado.
    Quando comecei a ler o texto, comecei a pensar coisas o tipo: “que criatura mal apaixonada, que ser mais carregado de péssimas impressões sobre o que a vida tem de bom a oferecer!”
    Com o decorrer da leitura, vi que não é nada disso. É uma “reclamação” sobre a forma fria e dura que os que sofreram passam a ter – por medo, por incompreensão, por não ser correspondido, ou por pura falta do que fazer – passam a ter do estar apaixonado.
    Quando vi que a opinião do autor é totalmente piegas, kitsch, do populacho, natural, e totalmente cega de paixão, percebi que, se eu não estivesse neste sublime estado patológico, acharia essa posição uma bela porcaria.
    Mas eu estou inserido no contexto.
    Completa, e felizmente inserido.
    Fraqueza? Oh, sim. Perco minhas idiosincrasias porque o simples fato de saber que elas podem machucar o ser por quem despejo a paixão de minha alma. Perco? nada; jogo fora.
    Perda da individualidade? Quer quer ser um ser individual, quando a paixão é também uma vontade de se ver num espelho, e esse espelho não é mais que o objeto por quem se está apaixonado?
    Passageiro? Que seja. Depois da tempestade, a bonança. Que venha o amor, e que ele seja entediante como um córrego, que seja chato como um pôr do sol, que seja repetitivo como o bater de um coração; MAS QUE NUNCA DEIXE DE SER LINDO E INEVITÁVEL.
    Obrigado.

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