Memórias (parte III)

A década de 90 começou com aquilo que nós, anarquistas, já prevíamos: o colapso do Comunismo na União Soviética e o fim da Guerra Fria. Mas também pela globalização do capitalismo. Foi o surgimento do “anti-Cristo” da vez, Sadam Houssen, através da Guerra do Golfo (primeiro grande conflito militar internacional transmitido em tempo real pelas principais emissoras de TV de todo o planeta!).

Para a maioria das pessoas que ainda comemoravam a queda do Muro de Berlim (1989), otimismo e esperança seguiram o colapso do Comunismo, mas os efeitos colaterais do fim da Guerra Fria estavam só começando, como o advento terrorista em regiões do Terceiro Mundo, especialmente na Ásia…

A massificação geral do computador pessoal e da internet aumentou a produtividade econômica (mas muitas críticas foram feitas quanto à má distribuição de renda, que apenas aumentou o abismo social).

Apesar do clima de prosperidade e nova tomada de fôlego da democracia, houve um “lado negro” significativo. Na África, o aumento nos casos de AIDS e inúmeras guerras levaram à diminuição da expectativa de vida e nada de crescimento econômico. Em ex-nações soviéticas, havia fuga de capital e o PIB só decrescia. Crises financeiras nos países em desenvolvimento foram comuns depois de 1994, apoiados pela globalização. E eventos trágicos como a primeira Guerra do Golfo, assim como o crescimento do terrorismo, levou à idealização do choque de civilizações. Mas esses fatos foram apenas relembrados com relevância 2001, durante os atentados às Torres Gêmeas (mas isso já é para um outro capítulo).

Os jovens, ao redor do mundo, se ramificaram em “tribos urbanas”, num universo social diversificado que foi desde o superficialismo e consumismo até a militância ambientalista e anti-globalizante. A expressão dessa busca de “identidade” estava nas roupas (como os camisões de tecido flanelado em padrões xadrez dos “grunges”) e através de tatuagens e piercings (cada vez mais visíveis), bem como o consumo de novas drogas (como o surgimento do ecstasy ligado à cultura de música eletrônica, dos chamados “clubbers”) o aumento no consumo de maconha na classe média também aumentou no mundo todo (com campanhas e debates sobre descriminalização em vários países). No Brasil, a molecada se viu cada vez mais envolvida com sexo em idade precoce e também passou a ser vítima do aumento da violência nos grandes centros urbanos. Foi uma época tomada por uma busca de identidade, ao mesmo tempo com certo toque de nostalgia, onde modas e costumes de décadas anteriores eram resgatados e repaginados, como os grunges que, de certa forma repaginaram o punk e os clubbers que resgataram os brilhos, as cores e a purpurina das discotecas setentistas…

Como eu já mencionei no “capítulo” anterior, aqui no Brasil os anos 90 começaram com instabilidade, com o confisco de poupanças pelo presidente Fernando Collor que, mais tarde, levariam milhares de jovens (mobilizados por uma forte campanha de mídia) a criarem o movimento “Caras Pintadas” e pedirem seu impeachment.

No governo seguinte (do Itamar), o país experimentou certa estabilidade econômica e crescimento com o Plano Real (1994), que igualava a moeda brasileira ao dólar americano, por meio de uma banda cambial. Foi o início da “Era FHC”, quando o então Ministro da Fazenda (Fernando Henrique Cardoso), se elegeria presidente por duas vezes seguidas naquela década, ganhando sua reeleição após mudar a Constituição.

Mais uma vez, como previam os anarquistas (e socialistas de esquerda em geral) – sem querer botar caroço no angú – o Plano Real acabou mostrando certas fragilidades no final da década, com sérios impactos no aumento da pobreza.

Por outro lado, no entanto, a cultura brasileira tornou-se mais valorizada (começamos a ser vistos no mundo como algo mais, além do “país do futebol, das mulatas, carnaval e bananas”)…

Há uma “ressurreição” do cinema e uma boa recepção de músicos brasileiros no exterior. O esporte também passou por bons momentos, com 18 medalhas olímpicas e títulos mundiais em futebol e basquete.

Além disso, ainda teve o desenvolvimento tecnológico mais rápido da História! Coisas como o processador Pentium; a popularização do Windows 95, o crescimento explosivo da internet; comércio eletrônico; telefone celular; DVD; tênis com amortecedor (!) e o tão temido “Bug do Milênio” (que não ocorre! Lembram?).…

Ah, e teve também a clonagem da ovelha Dolly; o início do “Projeto Genoma Humano”; exploração do planeta Marte e o comércio de alimentos geneticamente modificados…

É. O ano 2000 estava próximo e parecia que estávamos quase tocando no futuro. Mas o “futuro” não era como aquele que a gente via nos desenhos da “Família Jetson” – ainda não se viam carros voando nos céus das cidades nem nenhuma agência de turismo oferecendo “pacotes de férias para a Lua”… Era meio frustrante, isso…

Enquanto isso, em Campina Grande city, eu passava no vestibular, entrava na faculdade de Jornalismo e abandonava o ativismo no MACG, que passou a ficar cada vez mais envenenado por interesses particulares.

Particularmente desiludido por não ter conseguido realizar o sonho adolescente de mudar o mundo, resolvi deixar a militância de lado e fui viver minha vida…

Na faculdade, fiz grandes amigos, curti de tudo que se possa imaginar de mais louco nesse mundo, encontrei o primeiro (mas não o último) grande amor da minha vida (com a qual me casaria em 99 e me daria, além de dois filhos lindos, muitos momentos de alegria) e, aos poucos, fui cortando o meu próprio “cordão umbilical”, me tornando independente (gente grande)… Como em “Eduardo e Mônica” (da Legião Urbana): “Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer e decidiu trabalhar…”.

E foi assim que me tornei quem eu sou hoje em dia. Apenas mais um “Pirata das Pedrinhas” (srsrsrsrsrs)…

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