O Príncipe Anarquista (Tributo)

Ele sempre rejeitou esse “título” de “Príncipe Anarquista”. Na verdade, nenhum título ou honraria lhe interessaram em seus 79 de vida. Porém, é quase impossível chamar por outra alcunha esse humanista de sangue nobre (filho de um príncipe russo) que abandonou todo o conforto que podia desfrutar da nobreza para se tornar um dos principais pensadores políticos do anarquismo no final do século XIX, geógrafo e escritor. Considerado também o fundador da vertente anarco-comunista.

Hoje (08/02) faz 89 anos que Pyotr Alexeyevich Kropotkin morreu e, com ele, boa parte da força revolucionária anarquista no mundo.

Nascido membro da família real de Rurik, na idade adulta Kropotkin rejeitou este título de nobreza. Ainda adolescente foi obrigado a ingressar no exército imperial russo por ordem do próprio czar Nicolau I. Nesta mesma época passou a ter contato com a literatura progressista e revolucionária da época.

Interessado por Geografia, tornou-se explorador do círculo polar ártico percorrendo milhares de quilômetros a pé e registrando diferentes fenômenos relacionados a tundra e outras paisagens árticas. Em suas muitas viagens teve contato e passou a se solidarizar com os camponeses vivendo em condições miseráveis na Rússia e na Finlândia.

Este sentimento de solidariedade fez com que Kropotkin abandonasse a atividade de pesquisador. Com o dinheiro da herança recebida pela morte de seu pai viajou para o Leste Europeu tendo contato em diversos países ativistas e revolucionários, entre estes os associados de Bakunin e os seguidores de Marx. Em Genebra tornou-se membro da Primeira Internacional depois partiu em direção à Jura a convite de um anarquista que lhe relatara a força que o movimento adquirira naquela região. Estudou o programa revolucionário da Federação Anarquista de Jura, retornando à Rússia com a intenção de divulgá-lo entre ativistas libertários e populações marginalizadas. Na Rússia voltou a fazer pesquisas científicas, tomando parte em diferentes âmbitos do ativismo libertário.

Foi preso por diversas vezes por sua militância. Seus textos foram publicados por centenas de jornais ao redor do mundo. Foi o autor de livros hoje considerados clássicos do pensamento libertário, entre os mais importantes se destacam “A Conquista do Pão” e “Memórias de um Revolucionário” ambos publicados em 1892, “Campos, Fábricas e Oficinas” de 1899 e “Mutualismo: Um Fator de Evolução” publicado em 1902. Em 1911 foi convidado para contribuir também para a Enciclopédia Britânica na escrita do verbete referente ao Anarquismo.

Seu funeral em fevereiro de 1921 constituiu o último grande encontro de anarquistas na Rússia, uma vez que este país, desde a revolução de 1917, estava sob o domínio dos bolcheviques marxistas que passaram a perseguir, exilar e aniquilar os ativistas libertários onde quer que fossem encontrados.

Anarquismo comunista

Kropotkin foi um dos principais anarquistas da Rússia e um dos defensores do que ele mesmo chamava de “comunismo libertário”.

A base de tal concepção encontra-se na idéia de que o critério para o consumo (tanto de bens quanto de serviços) dos indivíduos não seja o trabalho, mas a necessidade. Kropotkin advogava assim um sistema de distribuição livre da produção, conceito este que está ligado ao raciocínio de que não é possível medir a contribuição isolada de um indivíduo na produção social, e que, portanto, uma vez realizada, toda ela deva ser desfrutada socialmente.

Kropotkin vê a coletivização dos meios de produção como o objetivo da transformação social, mas, diferentemente de alguns socialistas tradicionais, infere que a este fenômeno seguiriam como consequência inevitável a distribuição livre e a extinção de qualquer sistema de salários.

Numa tal sociedade a produção seria orientada para o consumo e não para o lucro. E Kropotkin vai além em suas considerações sobre esta outra forma de sociabilidade ao vislumbrar uma ciência dedicada a descobrir meios para conciliar e satisfazer as necessidades de todos.

Ao problema que se levanta quando se pensa a distribuição livre, Kropotkin não vê aí uma abertura para a instauração de um governo revolucionário, pelo contrário, diz ser a cooperação voluntária o substituto tanto para a propriedade privada quanto para a desigualdade, categorias nas quais se fundamentam o Estado. Neste sentido, Kropotkin defende um sistema de administração pública fundada na idéia de comuna não apenas enquanto unidade administrativa mais próxima do povo e de suas preocupações imediatas, mas também enquanto associação voluntária que reúne os interesses sociais representados por grupos de indivíduos diretamente ligado a eles.

A união destas comunas produziria uma rede de cooperações que substituiria o Estado.

Cronologia

1857 – Entrou para o “Corps of Pages”, onde começou a desenvolver uma reputação de rebelde.

1858 – Seus primeiros escritos mostraram interesses em economia política e estatística; iniciou os primeiros contatos com camponeses “de verdade”.

1861 – Foi para a prisão pela primeira vez como resultado por participar de um protesto estudantil.

1862 – Tornou-se desiludido com a realeza quando, como page de chambre para o csar, testemunhou as extravagâncias da vida na corte.

1862-1867 – Por pedido próprio, serviu como militar na Sibéria. Testemunhou as condições de vida lá, e a falta de vontade da administração corrupta para fazer qualquer coisa a fim de melhorá-las.

1868-1870 – Buscou conhecimento sobre agrimensura e geografia.

1871 – Tornou-se interessado no movimento trabalhista e em acontecimentos acerca da Comuna de Paris.

1872 – Viajou para a Suíça, onde entrou para a Internacional Socialista; voltou para a Rússia com vários escritos socialistas proibidos.

1873 – Como membro do Círculo de Tchaikovsky, ajudou reescrevendo panfletos de uma forma que pudesse ser lida pelos menos instruídos; ele mostrou grande habilidade para se comunicar com os trabalhadores.

1874 – Foi preso na Fortaleza de Pedro e Paulo por causa de suas atividades revolucionárias. Com a intervenção da Sociedade Geográfica, ele ganhou dispensa especial para trabalhar num jornal.

1876 – Fugiu do hospital militar e se mudou para a Inglaterra.

1881 – Foi à Internacional Anarquista em Londres. Deu suporte ao assassinato do czar Alexandre II, com base no fato de que uma explosão é bem mais efetiva do que um voto para encorajar os trabalhadores à revolução. Isso o expulsou da Suíça. O governo russo ficou constrangido quando ele descobriu um plano para assassiná-lo em Londres.

1882 – Logo depois de se mudar para a França, foi preso por seu trabalho na Primeira Internacional Socialista e sentenciado a cinco anos na prisão. Ele ficou lá até 1886, quando foi solto sob a condição de que deixasse a França.

1886 – Voltou à Inglaterra. Descobriu que seu Irmão Alexander havia cometido suicídio no exílio por atividades políticas na Sibéria.

1901-1909 – Escreveu materiais em russo para leitores de sua terra natal. Ficou muito desapontado com o fracasso da Revolução de 1905.

1909-1914 – Voltou à Suíça sob a condição de refrear suas atividades anarquistas. Tentou tornar de conhecimento público o massacre de 270 trabalhadores nas Minas de Lena, mas sua atividade foi cortada por causa da Primeira Guerra Mundial. Então, ele se mudou para o Reino Unido, onde passou algum tempo em Brighton.

1914-1917 – Deu suporte ativo à guerra contra a Alemanha como uma guerra contra o Estado. Essa posição, estranha e questionável para um anarquista, fez com que muitos companheiros se afastassem dele, em particular Errico Malatesta.

1917 – Voltou a São Petersburgo, onde ajudou o governo de Kerensky a formular políticas. Parou suas atividades quando os Bolcheviques tomaram o poder.

1921 – Seu funeral no Cemitério de Novodevichy, com a aprovação de Lenin, tornou-se a última grande reunião de anarquistas na Rússia.

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Um comentário sobre “O Príncipe Anarquista (Tributo)

  1. realmente a vida é phoda com ph…mas,é mais fhoda ainda quem resiste na luta e não liga pro anonimato e pra piorar a phodelancia resiste com uma existencia phodida e maltratada pela miseria atribuida graças a uma classe dominante nojenta…AFINAL,QUANDO NÓS FAREMOS UM LEVANTE ARMADO E EXPROPIAREMOS A BURGUESIA EM VEZ DE TEORIZAR????EU NÃO SOU NADA CRISTÃO…MEU ANARQUISMO SE MISTURA AO NIILISMO DA RUSSIA-NARODNAIA VOLIA…É LUTA ARMADA OU OSTRACISMO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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