Rindo, corrigem-se os costumes… (ou Traduza, se for capaz)

A fortiori, resolvi escrever um texto simples, pródigo em verborragia própria dos ilustres causídicos ainda em atividade. Este texto surgiu a posteriori numa conversa informal com um amigo que é juiz de direito e que reclamava da linguagem empolada de alguns colegas bacharéis que, por não ter conteúdo, acabam enchendo lingüiça em seus documentos oficiais, repletos de expressões latinas que, ao contrário de simplificar, apenas tomam o espaço das idéias claras e diretas – o que, inclusive, ajudaria bastante na conclusão de alguns processos em tramitação.

A priori, devo salientar que este texto é muito mais uma galhofa do que uma crítica séria e contundente, tendo como propósito apenas mostrar como tudo pode ser mais simples ao invés de optarmos ab absurdo.

Ad hoc, eu gostaria de deixar claro, ab imo corde, que ab initio não costumo fazer nada ad nutum. Ab ovo, esta linguagem empolada é uma característica marcante do Direito, onde muitos magistrados se valem ad infinitum dessas expressões, ad libitum! Ad nauseam!

Como costumo dizer, Amicus Plato, sed magis arnica veritas. E digo, aperto libro, que não encontro motivos plausíveis para tal prática apud um profissional do Direito em pleno século 21.

Logicamente que não podemos ser extremistas. O melhor é procurar a aurea mediocritas, usando tais expressões latinas com parcimônia, pois a boa comunicação é avis ara. É preciso tomar cuidado. Cadit quaestio.

Preferi escrever esta sátira, pois castigat ridendo mores.  Mesmo que em casus belli!

Uma comunicação mais clara e direta é conditio sine qua non facilitamos a conclusão de um corpus de ações que remetem diretamente à vida de indivíduos, que dependem da celeridade em certos processos judiciais. Corruptio optimi péssima e aí talvez seja tarde demais.

Poucos atingiram cum laude a lucidez adequada currente calamo. De facto, uma linguagem menos formal é desideratum.

Deo gratias que no jornalismo, por exemplo, já conseguimos vencer esta barreira. Muitos jornalistas antigos escreviam de modo afetado, na crença de estarem sendo melhores. Mas isso é uma outra história. Deo volente, os advogados também vão vencer este terrível vício. Difficilior lectio potior. Assim, depois de muitos prejuízos, eles se renderão ao bom senso.

Nem precisa ser doctus cum libro para perceber o grave equívoco em que tais profisisonais estão imersos. Ao vestir a toga é como se encarnassem dramatis personae. Depois, alegam simplesmente que errare humanum est, como se isso bastasse para imiscuir-lhes de alguma culpa.

O conselho que dou para estas pessoas é: Esto brevis et placebis! E ex abrupto tudo se torna melhor. Se você é uma dessas pessoas, faça isso ex officio.

Grosso modo,  isso não é diminuir o brilho profissional dos bacharéis. Como diria Hobbes, “Homo homini lúpus”. E não devemos ser egoístas escrevendo coisas que só nós entendemos. Sejamos simples honoris causa.

Hypotheses non fingo! Como já afirmei antes, em bom conselho, acredito piamente que in medio virtus. Não temo, com estas admoestações, cometer lapsus calami ou lapsus Iinguae.

Lato sensu, deixo claras as minhas razões para esta crítica que vos apresento. Se a coisa não mudar não foi por falta de aviso ou mea culpa. Apresentei aqui o melhor modus faciendi. Agora é com quem quiser seguir os conselhos de bom grado. Pois cada um possui seu modus vivendi. O fato é que é chegada a hora, mutatis mutandis, uma vez que natura non facit saltus.

Nihil obstat, que escrevamos textos bem elaborados com palavras simples, discurso direto. A beleza está muito mais na simplicidade, pois hoje vivemos num mundo prático e dinâmico.

O sancta simplicitas! Obscurum per obscurius simplesmente não atrai mais a atenção. É preciso pauca sed bona.

Para finalizar, quod scripsi, scripsi. Este é meu ultima ratio. E não esqueçam: Verba volant, scripta manent!

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2 comentários sobre “Rindo, corrigem-se os costumes… (ou Traduza, se for capaz)

  1. Meu caro Silvio
    Os caras são tão f… que outro dia ouvi um comentário em um bar que eu estava, a conversa era entre dois advogados que citavam um terceiro e um deles disse: -“Ele é tão bom FDP e mente tão bem quanto qualquer bom advogado”, por isso se valem de de tais “CÓDIGOS” para se mostrarem inteligentes acima dos “normais”.

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