Vagabundo por necessidade

Plena segunda-feira. A semana mal acabara de começar e já trazia todo o peso da rotina e dos aborrecimentos de trabalho que sempre nos acompanham.

O clima quente e sufocante nos chamava para dar uma pausa em tudo, esquecer que era início de semana e tomar uma cervejinha bem gelada.

Não resistimos aos apelos da noite e lá fomos nós – eu e um amigo, parceiro de guerra – tomar a “gelada” e limpar a vista com as beldades de todos os tipos que passam pela orla do rio Amazonas.

Clima agradável, cerveja gelada, bom papo, vista linda… Papo vai, papo vem e os assuntos são quebrados apenas pelos nossos olhares de admiração por bundas e pernas que passam e por alguns vendedores e engraxates que passam oferecendo seus produtos e serviços.

Uma garotinha de, no máximo 12 anos, chega em nossa mesa oferecendo bombons de chocolate caseiro. Se fôssemos outros sujeitos de tipo asqueroso, bastava insistir um pouco para aquela criança nos vender outros favores que prefiro nem imaginar e descrever aqui. (Triste isso…)

Para fechar a noite com “chave de ouro”, um mendigo nos aborda. Era um rapaz jovem, vinte e poucos anos, sujo. E ele pediu dinheiro com uma voz fina e fraca, como se realmente estivesse com muita fome. Não tínhamos trocado o dinheiro ainda e, por se tratar de um jovem claramente viciado em drogas, dissemos não.

O resultado disso é que aquela voz fina e fraca transformou-se de repente num vozeirão grosso e agressivo que nos xingava de vagabundos!

Achei engraçado. Não me ofendi. Ele tinha razão. Ele era vagabundo por circunstâncias da vida; eu era vagabundo opcional. Ambos éramos vagabundos por necessidade: ele por necessidade socioeconômica; eu por necessidade de prazer…

E aí eu fiquei pensando: A burguesia, quando lutava contra a nobreza, apoiada pelo clero, arvorou o livre exame e o ateísmo; mas, triunfante, mudou de tom e de comportamento e passou a apoiar na religião a sua supremacia econômica e política.

Nos séculos XV e XVI, tinha alegremente retomado a tradição pagã e glorificava a carne e as suas paixões hedonistas, que eram reprovadas pelo cristianismo; ainda hoje, cumulada de bens e de prazeres, renega os ensinamentos dos seus pensadores, os Rabelais, os Diderot, e prega a abstinência do prazer e do ócio aos assalariados.

A moral capitalista, lamentável paródia da moral cristã, fulmina com o anátema o corpo trabalhador; toma como ideal reduzir o produtor ao mínimo mais restrito de necessidades, suprimir as suas alegrias e as suas paixões e consumí-lo ao papel de máquina entregando trabalho sem tréguas nem piedade.

Precisamos dar um tempo e sermos vagabundos opcionais de vez em quando!

Garçom! Mais uma cerveja gelada aqui na mesa, por favor…

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5 comentários sobre “Vagabundo por necessidade

  1. Em pensar que vagabunda é meu apelido mais carinhoso.
    kkkkkkkkkkkkk..
    E viva a noite. Viva ao dia. Viva a Cerveja (como nome, mesmo. “C”). Viva aos trancos e barrancos.
    E foda-se quem critica.

    #)

  2. Seu cretino, tu acha que vomitando essas palavras que aprendeu no dicionário, vai fazer alguém pensar que você é inteligente??
    Você é um verme asqueroso de bar que deve ficar falando sobre história com algum amigo idiota querendo prova que sabe mais, mas não pensa nem por si só.
    Só repete o que aprende em livros de merda, e não pensa nem escreve por si só, e sim pensa com uma cabeça alheia que lhe inseriu essa idéia.
    Pensa que vai ser como Charles Bukowski sendo um bêbado.
    Primeiro tenha suas idéias, depois as coloque de um modo simples, assim que se torna um bom escritor, quem quer escrever de um modo complicado, tem idéias fracas nas quais tens que usar palavras que a maioria do povo não entende(detalha eu entendo) pra pensarem: nossa ele é tão bom, que não entendi uma palavras que escreveu, enquanto quem lê e entende sabe que ele apenas abriu a porra de um livro de história e vomitou o que está la.
    Tenha idéias suas, depois vem paga de intelectual.
    Sim com suas idéias não com as obras alheias.

    • Prezado visitante,

      Não escrevo para ninguém pensar que sou inteligente. Primeiro, porque não preciso provar nada para ninguém a respeito de minha inteligência ou ignorância. Segundo, porque escrevo despretenciosamente, pelo simples prazer de escrever, num espaço (blog) que é meu, por direito. Espaço este tão aberto para a troca de ideias diversas que não me importo em deixar aqui registrado o seu comentário ou o de quem quer que seja, seja ele positivo ou negativo (como o seu).
      Também não tenho a pretensão nem a ousadia de ser um Bukowsky, um Brecht, um Rousseau, ou quem quer que seja. E, ao contrário do que você afirma, não escrevo tão complicado assim para o nível de leitores que costumam visitar meu blog. Assim como não duvido que você entenda também.
      No mais, ficam aqui os meus cordiais respeitos e esperança que, com o tanto de leitura e argumentos próprios que você alega ter, você acabe aprendendo a utilizá-los, pelo menos, de forma um pouco mais educada. Caso contrário, VÁ TOMAR NO OLHO DO SEU CU, QUE O BLOG É MEU; EU ESCREVO DO JEITO QUE EU QUISER E O QUE EU QUISER E NÃO ESTOU NEM AÍ COM O QUE VOCÊ PENSA, SEU ESCROTO, VAGABUNDO, FILHO DA PUTA!

      kkkkkkkkkkkkkkk

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