POLITICAMENTE CORRETO (OU A ARTE DE SER QUEM VOCÊ NÃO É)

Pegue uma balança para pesar bem seus pensamentos; tesouras de jardinagem para podar seus sentimentos; réguas e trenas para medir bem cada uma de suas palavras e não se esqueça de ler todos os manuais de ética e sobrevivência no “mundo cão”. Seja bem vindo ao mundo adulto e se prepare para ser um bom praticante da arte de SER QUEM VOCÊ NÃO É.

De uns tempos para cá, muito tem se falado em ética (pessoal, profissional, política, etc.) e as definições e conceitos do comportamento ético vêm se ampliando a cada dia, naquilo que, a partir do início dos anos 90 virou moda chamar de “politicamente correto”.

Assim, os aidéticos viraram soropositivos; os aleijados viraram deficientes físicos que, por sua vez, viraram portadores de necessidades especiais (cegos não voltaram a enxergar, mudos não voltaram a falar, paralíticos não voltaram a andar, mas passaram a ser chamados de nomes mais “bonitinhos” e “menos agressivos”, tais como deficientes visuais, auditivos e cadeirantes, respectivamente). Da mesma forma, os gays viraram homossexuais; os negros viraram afro-descendentes e os ladrões passaram a ser chamados de políticos (mas nessa categoria só se enquadram os ricos, todos os demais ou são infratores ou pessoas em risco social). Por falar em políticos e ladrões, algumas expressões do mundo jurídico também mudaram. Os ricos, quando envolvidos em algum escândalo na justiça não são mais presos, são “conduzidos coercitivamente”; se vão para a penitenciária, não são presos, são internos e na Câmara Federal e no Senado, uma frase que poderia ser dita em português claro, do tipo: “Você tá mentindo, seu filho da puta! Pegue sua mentira e engula!”, fica muito mais bela (e até poética) quando é dita como “Vossa Excelência está proferindo inverdades! Pegue suas palavras e as digira!”. E por aí vai.

É, meus amigos, o mundo de hoje é assim. Temos de parecer justos e decentes o tempo todo (mas só parecer). Muita gente aparenta ser uma pessoa de escrúpulos, mas na verdade, são apenas grandes mestres da dissimulação, usando o tempo todo da sedução, do encanto, do engano para sutilmente passar a perna em quem tiver na sua frente.

E eu lhe pergunto: É esse o mundo que você vai deixar de herança para os seus filhos e netos? Pense nisso!

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14 comentários sobre “POLITICAMENTE CORRETO (OU A ARTE DE SER QUEM VOCÊ NÃO É)

    • Poxa, Elton, muito obrigado mesmo pelas palavras. Mas acho que, se a escrita realmente vem melhorando, talvez isso se deva ao meu olhar sobre as coisas vir se aprimorando também… Enfim, sei lá. Só fico feliz de você estar gostando dos posts.
      Abraço!

  1. Um “soco” no estômago dos falsos “caretas” que teimam em manter essa sociedade hipócrita, com seus dircursos decorados e fajutos.Mascarando a realidade com uma dose absurda de demagogia inescrupulosa.
    Meu querido, tenho comentado bastante sobre o seu blog, e indicado aos “meus” com muito prazer. A coerência dos seus textos, seguidos de humor, sarcásmo e realidade cotidina,nos proporciona um agradabilíssimo momento de reflexão.
    Resumindo… SÃO FODAS! rsrsrs PARABÉNS!

  2. Esse texto serve também para refletir sobre quem somos, é muito fácil e cômodo ver isso em quem não gostamos, na maioria… Na realidade na qual estamos inseridos. Mas, não precisamos ir muito longe para achar estas artimanhas, até em quem amamos ou admiramos. Está tudo lá… mas nos negamos a ver. Texto provocador… provoca dor, reflexivo do jeito que precisamos consumir todos os dias. Linkei no blog. Bjs

    • Sim, minha querida Cortezolli, esse texto realmente tem o propósito de ser “provoca dor” e reflexivo, porque não adianta a gente ser hipócrita e querer acreditar que isso só acontece com os outroos. Na verdade, quando a gente aponta com o dedo indicador para os outros, pelo menos outros três dedos de nossa própria mão apontam para nós mesmos. Isso quer dizer que a mudança precisa começar conosco, a partir de nossa vontade em querer mudar as coisas. Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar o nosso “mundinho interior”.

      Bjs, milhões de bjs para vc!!!

  3. Acho uma palhaçada essa história de politicamente correto.Que pra falar a verdade de correto não tem nada.
    Como diz no texto “Ser ou não ser? eis a questão!” da autora Edna Ferreira, o que importa não é como se fala e sim como se trata as pessoas,de nada adianta ter cuidados para falar se não cuidar. Quem inventou isso realmente não tinha mesmo o que fazer.

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