Trabalhando apenas o necessário…

Og Mandino (nome artístico de Augustine Mandino, nascido na Itália, em 12 de dezembro de 1923 e falecido em 3 de setembro de 1996) foi um escritor que ganhou fama internacional após mudar-se para os Estados Unidos e se tornar-se um “guru” do setor de vendas.

Presidiu a revista Success Unlimited até 1976, quando, aos 52 anos, “chocou o setor ao renunciar à presidência para dedicar-se em tempo integral a escrever e dar palestras”.

Ex-alcoólatra que quase chegou ao suicídio, tornou-se milionário ao publicar “O Maior Vendedor do Mundo”. Tornou-se um dos autores mais inspiradores e bem sucedidos no segmento denominado auto-ajuda, principalmente com livros voltados para vendas. Seus livros venderam mais de 50 milhões de cópias e foram traduzidos em vinte e cinco idiomas.

Um desses grandes sucessos editoriais que levam a sua marca é The University of Success (A Universidade do Sucesso), uma compilação de textos de americanos “brilhantes” e bem sucedidos, que vão de Dale Carnegie a Benjamin Franklin. O livro é dividido em “semestres” e cada um desses autores consagrados é tido como “professor”, sendo seus respectivos textos as “aulas” ou “lições”. Estas vão desde “Como Talhar Sua Marca registrada de Sucesso” até “Como Ter Uma Vida feliz” e “Como Manter Bem Viva a Chama do Sucesso”. Alguns excertos dessas inúmeras “lições”:

 

– A riqueza de um homem se mede pelas coisas que é capaz de deixar para trás.

– Não existe sucesso de graça.

– É necessário uma força de caráter sobre humana para prosseguir trabalhando sozinho quando o resto do mundo se diverte e quando não temos nenhuma evidência de que nos sairíamos bem, caso continuássemos.

– Todos os que estão presos nas garras da Vontade de Fracassar ajem como se tivessem mil anos de vida pela frente. Quer sonhem ou dancem, gastam horas preciosas como se as reservas fossem inesgotáveis. […] Há, por exemplo, os que dormem duas ou seis horas a mais do que precisam […]. Quando um adulto vai mais longe do que isso, transformando em rotina a soneca uma ou duas vezes por dia, o diagnóstico se torna simples. […]entre os fracassos indiscerníveis, estão os “introvertidos”, os que dormem acordados: pessoas que permitem que determinadas atividades passem diante de si quase sem participação, ou se entregam a passatempos onde desempenham os papéis mais insignificantes e menos construtivos: os jogadores de paciência, os traças patológicos de livros, os eternos fazedores de palavras cruzadas, o contingente dos construtores de quebra-cabeças.

 

Og Mandino e seus “professores” são os representantes máximos do “american way of life”, o sonho americano de conseguir triunfar em meio ao capitalismo selvagem que se instaurou no mundo ocidental a partir do século XIX. Mas até que ponto essas “lições” ou “mandamentos do sucesso” têm seu valor? Até que ponto prejudicam nossas vidas? E, o mais importante: Até que ponto vale a pena sucumbir a essa engrenagem da máquina capitalista, assim como fez Charles Chaplin em “Tempos Modernos”?

No final das contas, podemos pegar essas quatro “lições” citadas acima e somar com todas as outras e o resultado vai ser um só: Você, que está no mercado de trabalho, tem que ser eternamente grato ao seu chefe por estar empregado. E você deve mostrar toda a sua gratidão, fazendo hora extra e levando trabalho para casa mesmo sem receber um centavo a mais por isso. O seu sacrifício valerá a pena, não agora, mas quando um dia você se aposentar, depois de muito esforço e o teu chefe te presentear com uma caneta, dizendo: “Enfia no bolso e vai se virar!”

Certo, você poderá dizer que está no início de sua carreira e precisa mostrar trabalho. Você pode alegar que o trabalho não é tão duro assim e que você pode fazer uma horinha a mais ou levar aquele relatório pra casa porque não é nada demais e você gosta do que faz. Você pode, enfim, querer justificar de várias maneiras a sua “atitude pró-ativa” para com seu chefe e seu trabalho e até pode achar isso tudo muito natural. Sim, você pode achar natural deixar de lado sua família ou seus amigos no final de semana em troca de um “trabalhinho de nada”, ou de fazer isso “só pra adiantar o trabalho de amanhã”. Quer um conselho? Por experiência própria, eu digo: NÃO VALE A PENA!

E não vale a pena simplesmente porque, como afirma Robert Greene, em seu livro “As 48 Leis do Poder”, todos têm as suas inseguranças. Quando você se expõe ao mundo e mostra os seus talentos, é natural que isso desperte todos os tipos de ressentimentos, invejas e outras manifestações de insegurança. É de se esperar que isto aconteça. Não se iluda. É uma falha acreditar que, exibindo e alardeando (mesmo que inconscientemente) os seus dons e talentos, você está conquistando o afeto do chefe. Ele pode fingir apreço, mas na primeira oportunidade, vai substituir você por alguém menos brilhante, menos atraente (dos olhares alheios), menos ameaçador. Ele nunca admitirá a verdade, mas arranjará uma desculpa para se livrar da sua presença.

Na maioria das vezes, perdemos muito tempo em nossas vidas, sendo dedicados ao trabalho árduo e deixando de lado nossas horas de folga e lazer. Acredite, isso não vale a pena, porque para quem está acima de nós, 100% é o ideal, mas 99% é cometer uma falha inadmissível. Por isso, tente trabalhar dignamente e apenas o suficiente, dentro de suas horas diárias. Não faça trabalhos medíocres, mas nunca admita que o seu trabalho penetre a sua vida particular. Pense nisso!

Anúncios

4 comentários sobre “Trabalhando apenas o necessário…

  1. Sílviooooooo…. EU TE AMOOOOOOO!!!! rsrs
    Simplesmente ideal! Passei com uma amiga no sábado e percebi que ela tá vivendo pro trabalho e fiquei indignada.Ela não aceitou nem sair pra tomar um suco.
    Crítico estado de loucura por trabalho.
    A minha missão como amiga agora é fazer com que ela perceba que existe família e amigos que sentem falta dela principalmente sua filhinha de 9 anos, que fica jogada às traças. Vou levar o seu texto pra ela ler.
    Brilhante!! Que bom que vc existe.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s