Sugestão de leitura

É fácil perceber por todos os lados uma onda de saudosismo oitentista pairando no ar. Moda “new wave” retornando com tudo em roupas e óculos escuros coloridos; bandas antigas que encerraram a carreira e agora reaparecem das cinzas, como zumbis, para tentar tomar de volta o mercado fonográfico; novas bandas retocando velhas fórmulas de sucesso e o mundo todo parece ter entrado numa imensa máquina do tempo, que tem espaço para tudo e para todos – da Turma do Balão Mágico sendo tocadas numa roupagem mais “hard“, por bandas que posam de cool, ao Beto Barbosa cantando “Adocica” em comercial de cerveja.

Para quem, como eu, viveu os anos 80, cresceu ouvindo Raul Seixas cantar: “Hey, anos 80, charrete que perdeu o condutor./ Hey, anos 80, melancolia e promessas de amor…”; sabe que viveu uma das mais importantes décadas do século XX, segundo o ponto de vista dos acontecimentos políticos e sociais. Era o início da “Idade da Informação”.

Quem viveu (e sobreviveu) os anos 80, acompanhou pelos telejornais as notícias sobre a Guerra das Malvinas e o sofrimento do povo faminto na Etiópia, comprando o LP “Live Aid“, só por causa da música “We Are the World“. Viu o velho “cowboy” de filmes de “bang-bang”, o ator Ronald Reagan, tornar-se presidente dos Estados Unidos da América e exercer papel essencial no fim da Guerra Fria, ganhando muita popularidade por adotar políticas econômicas neoliberais. Chorou inconsolável com o assassinato de John Lennon.

Quem presenciou o nascimento da “Idade da Informação”, acompanhou o desenvolvimento assustadoramente rápido das tecnologias informatizadas, que deram à luz o Windows e o MacOS; desenvolveu o CD e foi matando, aos poucos os “bolachões” de vinil.

E quem não ficou perplexo com o surgimento da AIDS (ou “peste gay“, como era chamada na época em que não existia o “politicamente correto”)?

No Brasil, o atentado do Riocentro (1981) e a morte de Tancredo Neves (1985), a criação da nova Constituição Brasileira em 1988, ensejaram mudanças radicais nos rumos políticos do país; no mundo, o atentado contra o Papa João Paulo II e a eleição de Ronald Reagan nos Estados Unidos da América e de Margaret Thatcher no Reino Unido marcariam toda a década de 80 e traçaram a política neoliberal que hoje é prática comum na maioria dos países capitalistas.

Quem, nesta época, não dançou “breack” ao som de Michael Jackson?

E, falando em música, por que não lembrar o bom e velho rock que passa a receber novas influências, com batidas mais fortes e sons de guitarras mais pesados, o que trouxe ao público um dos gêneros musicais mais populares da década: o heavy metal, que, na sequência, também gerou inúmeras vertentes ainda mais rápidas e pesadas, como o thrash metalspeed metal e o black metal?

Outras inúmeras bandas de rockpop surgiram nos anos 80: A-ha, U2, The Smiths, Duran Duran. Algumas, surgidas em meados dos anos 70, só se consolidaram na década de 80; no Brasil, RPM, Ultraje a Rigor, Titãs, Legião Urbana, 14 bis, Barão Vermelho, Kid Abelha, Ira! entre outras. Nasceu o maior festival de música das Américas, só comparado ao Festival de Woodstock (1969), o Rock in Rio (1985).

E é falando destes e outros detalhes “sórdidos” dessa “década perdida”, que o músico, cantor, compositor e apresentador de TV, Lobão, junto com o jornalista investigativo Cláudio Tognolli, escreve sua autobiografia que, como ele mesmo diz, “é uma história cheia de vida, de intensidade e de revelações, que incide no presente e se projeta em direção ao futuro”.

O livro Lobão: 50 Anos a Mil (ed. Nova Fronteira, 2010) é narrado em primeira pessoa, tendo sido mantidos o léxico e a sintaxe peculiares e autorais de Lobão, para que a fluidez e o ritmo do texto não fossem perdidos. O trabalho inclui ainda uma coletânea de entrevistas e depoimentos de personalidades ligadas a Lobão e algumas fotos de seu acervo particular. Recomendo a leitura!

Lobão: 50 Anos a Mil, pode ser encontrado na net por preços que variam entre R$36,47R$44,90(http://www.jacotei.com.br/lobao-50-anos-a-mil-lobao-9788520924464.html). Aqui em Macapá, encontrei na Livraria Amapaense por R$60 à vista ou R$63, parcelado em até 3x no cartão.

 

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