Apenas um passo

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.”

(Friedrich Nietzsche)

Nossa vida é um eterno caminhar. Às vezes passamos por terrenos mais fáceis, outros mais difíceis de prosseguir com a jornada. Passamos por cima de paus e pedras. Molhamos nossos pés na água e na lama. Sofremos algumas topadas. Nos furamos com alguns espinhos. Mas devemos continuar firmes em nossa caminhada. Pois o importante não é o destino final, mas a jornada em si. O destino final é apenas a conseqüência que, mais cedo ou mais tarde, todos nós iremos alcançar. Mas a jornada e a escolha do caminho é que é feita por nós. E é nisso que devemos nos concentrar.

Experimente sair qualquer dia desses a esmo, sem um destino certo. Mire seu olhar num determinado ponto muito distante e comece a caminhar despretenciosamente em sua direção. Você verá que não demorará muito para chegar a este ponto. No entanto, no mesmo instante, se você olhar para trás, verá o progresso que você fez. E assim é o nosso trilhar pelas nossas vidas.

Alguns dizem que nosso caminho é um só: nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer (alguns acrescentam ainda “nascer novamente”, plantar uma árvore, escrever um livro…). Mas, definitivamente, a vida não se resume a isso. E não se resume simplesmente porque nós temos um elemento fundamental que nos diferencia das outras criaturas: o livre arbítrio, ou o raciocínio. Na verdade, o livre arbítrio é a mistura perfeita de nossas porções racional e emocional. Basta que saibamos lidar com isso.

Ao longo da história da humanidade, os homens buscaram caminhos evolutivos. Adão e Eva foram expulsos do paraíso, mas provaram do fruto da Ciência do Bem e do Mal (ou seja, a consciência do livre arbítrio). Os alquimistas buscaram a Pedra Filosofal e os maçons vivem na incessante obra de debastar a pedra bruta, sendo que ambos, alquimistas e maçons, usam do simbolismo para falar de sua eterna busca pela perfeição de si mesmo.

Evidentemente não é necessário ser um alquimista ou pertencer a alguma ordem mística secreta para realizar a Alta Magia em nossas vidas. Esta “Alta Magia” (magia, do latim magister; maestria, destreza, habilidade) significando a busca individual pelo crescimento interior. Eis o sentido da vida! Estamos encarnados neste planeta de expiação e provas para crescer, para evoluir! Todos os mestres da antiguidade vieram para nos mostrar isso.

Mas muitas vezes, o caminho do crescimento interior nos leva à beira de um abismo em nós mesmos. E quando isso acontece, só depende de nós a escolha.

Podemos ficar ali, parados, acostumados com nossa cômoda imobilidade. Não avançamos, mas também não podemos mais retroceder. O que fazer? Ficar aí, parado, até perecer? Ou lançar-se no desconhecido de si mesmo e pagar para ver o que acontece?

É sempre melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada. É sempre melhor ousar do que abster-se. Mas, e o medo? O medo faz parte e é necessário em nossas vidas! Devemos conservar nossos medos como um elemento que nos mantem atentos. Mas jamais devemos permitir que ele se apodere de nós. Não podemos perder o controle.

Lançar-se num abismo é muito mais um ato de fé do que simplesmente de coragem. Porque a coragem, muitas vezes, é fraca e não é o suficiente para enfrentar nossos medos e controlá-lo. Já a fé, cega como ela é, sendo verdadeira não se detém por nada. Mesmo que haja a presença do medo. Mas ela o enfrenta e se joga de corpo e alma para o desconhecido.

Muitas pessoas perdem muito tempo em suas vidas por não saberem aproveitar os momentos. Os momentos são mais importantes do que o nosso tempo cronológico. O tempo é uma ilusão da qual damos muita importância. Se as pessoas soubessem se abstrair da escravidão do tempo, poderiam sentir um maior prazer de viver pulsando em suas veias.

Ao contrário, na maioria das vezes, ficamos à deriva de nossas próprias vidas, por medo de sofrer. Essas pessoas esquecem que o sofrer e o gozar são apenas duas faces da mesma moeda. Portanto, não tenha medo de ousar! Aprenda com todos os momentos que surgirem em sua vida (os bons e, principalmente, os maus). Não deixe de viver, por medo de sofrer. Seria como nunca mais sair de casa por medo de ser vítima de um assalto. Permita que sua vida aconteça em plenitude! E nunca olhe para o abismo! Apenas dê um passo e deixe-se cair…

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