Há 50 anos…

1961. Eu não sonhava nem em nascer ainda. Talvez estivesse vagando em alguma região do plano imaterial, preparando-me para reencarnar neste planeta daí a 16 anos. Mas basta fazer uma pesquisa rápida na net pra saber o que aconteceu em 1961.

Foi nesse ano que fatos importantíssimos, que mudariam a história da humanidade aconteceriam. Já em janeiro, para abrir o ano com “chave de ouro”, os Estados Unidos cortam relações diplomáticas com Cuba. John F. Kennedy toma posse como presidente dos Estados Unidos (sendo assassinado apenas dois anos depois, em 1963). Aqui no Brasil, quem assume a chefia do Executivo é o Jânio Quadros no Brasil (renunciando ao cargo apenas sete meses depois).

Em fevereiro, são criadas as Forças Armadas de Libertação do Vietnã do Sul (fato que daria início a uma guerra bárbara envolvendo, entre outros países, os Estados Unidos, que lutava contra a expansão do comunismo na região. A guerra se estenderia até 1975).

Como reflexo da Guerra fria, que dividia o mundo em dois pólos distintos (capitalismo e comunismo), tem início as obras do Muro de Berlim, talvez um dos maiores emblemas concretos dessa divisão mundial (que só viria a ser destruído 28 anos depois, em 1989).

Foi nesse mesmo ano que nasceram Diana, princesa de Gales (que viria a ser a primeira princesa plebéia da História), em julho, e Barack Obama, em agosto (que se tornaria, anos mais tarde, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos).

E finalmente, foi neste mesmo ano, no dia 12 de abril, que o homem (representado pelo cosmonauta russo Yuri Gagarin) atingia a sua “última fronteira” (até então) e partia definitivamente para a conquista do espaço. Era o auge da chamada “corrida espacial”.

A corrida espacial foi uma competição de tecnologia espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética, ocorrida entre os anos de 1957 e 1975 durante a Guerra Fria, considerada como um dos episódios mais emocionantes da história da exploração espacial.

A Lua sempre atraiu a atenção do homem, desde as obras consagradas de ficção de Júlio Verne ao cinema francês de Melies. Com a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, os EUA e a URSS capturaram a maioria dos engenheiros que trabalharam no desenvolvimento dos primeiros foguetes. Historicamente, a exploração espacial começou com o lançamento do satélite artificial Sputnik pela URSS (1957), provocando uma corrida espacial pela conquista do espaço entre a URSS e os EUA que culminou com a chegada do homem à Lua.

Já em 1957, após o sucesso do lançamento do Sputnik, os russos enviam a cadela Laika (primeiro ser vivo em órbita), como cobaia a bordo da Sputnik II.

Mas foi Yuri Gagarin (1934-1968) o primeiro homem no espaço, em um vôo orbital de 1 hora e 48 minutos, a bordo da nave Vostok I. Neste vôo ele disse as famosas frases: “A Terra é azul”, e “Olhei para todos os lados, mas não vi Deus”.

Bem, aqui eu paro a História e começo as minhas humildes considerações.

De acordo com o calendário hebraico, um dos mais antigos do mundo, naquele ano de 1961 (calendário cristão gregoriano), a humanidade já havia vivido 5721 anos. Uma longa estrada de vida percorrida pela humanidade.

Ao longo de todo esse tempo, o homem já havia deixado para trás as cavernas; já havia criado o fogo, a roda e outros inúmeros artefatos; já havia desenvolvido plenamente as linguagens gestual, falada e escrita; já deixara de ser um animal selvagem e vivia em civilização, como a criação soberana dentre todos os reinos da natureza. Além disso, homens e mulheres iluminados já haviam passado pela terra trazendo suas mensagens de sublime elevação.

Ainda assim, e apesar disso tudo, parecia que o homem continuava insistindo em manter seus olhos fechados para o óbvio. Ele ainda continuava cultivando toda a sua arrogância e prepotência diante dos fatos da natureza. Pela primeira vez, depois de tantas mentes brilhantes como Sócrates, Platão, Arquimedes, Galileu, Newton, Einstein, entre tantos, terem vivido suas vidas para mostrar à humanidade a grandiosidade infinita do universo e a extrema pequenez humana, o primeiro cosmonauta a ver de perto essa realidade simplesmente constata que “A Terra é azul”, e como se não bastasse tamanha ignorância ou pobreza espiritual, arremata com outra “pérola”: “Olhei para todos os lados, mas não vi Deus”.

Pela primeira vez um homem estava pessoalmente diante da grandiloqüência divina do universo e a única coisa que conseguia falar era a cor da Terra e sua quase-decepção-comunista de não ter podido ver a face de Deus! E pensando sobre toda essa história eu me questiono: O quanto somos ignorantes e prepotentes? Até quando vamos insistir em não reconhecer uma força divina em suas obras, gritando, estampada diante de nossos olhos, palpável em todos os nossos sentidos?

Há cinqüenta anos o homem conquistava o espaço, mas não conquistava ainda a sabedoria. Independente de crer ou não em deuses e deusas ou de ter ou não uma religião qualquer (como é o meu caso, que não professo nenhuma religião, mas não ignoro a existência do divino), penso que o que é mais importante nessa história toda é sabermos que somos mais insignificantes do que pensamos ser, se comparados à grandiosidade infinita do universo. E que, por mais que a gente procure a face de Deus ou dos deuses, jamais a encontraremos se não olharmos para dentro de nós mesmo.

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2 comentários sobre “Há 50 anos…

  1. acho que diante de uma situação tão diferente, nova e impressionante… o ser humano fica limitado a descrever somente o que ele vê e o que não vê tbm… na lua foi a mesma coisa…o cara descreveu um passo…

    • Concordo com vc, meu amigo. Mas acho também que é uma questão até mesmo de perspectiva cultural. O Gagarin era russo e, como tal, doutrinado desde criança pelo ateismo comunista. Enquanto que o Armtrong vinha de uma cultura evangélica protestante. Não querendo tomar partido pela crença de ninguém, até porque nunca fui lá tão cristão assim (como se concebe hoje em dia, mesmo o passo descrito por Armstrong tem uma perspectiva de grandiosidade. Gagarin, simplifica a terra e o espaço a uma pequena esfera azul perdida na imensidão de um espaço incriado. Armstrong vê naquele seu pequeno passo, “um salto gigantesco para a humanidade”.

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