15 anos depois…

Você, jovem brasileiro, geralmente tão desinformado da dura e cruel realidade do nosso país, sabe que dia hoje?

Dou-lhe uma… dou-lhe duas… dou-lhe três…

Ninguém?!… Ninguém?!

É, talvez o assunto não seja tão interessante para vocês, assim como não faz o menor interessante para a maioria dos brasileiros, alienados pelas novelas e realitties shows da vida…

Hoje é o Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo. Essa data não deve ser comemorada. Mas precisará sempre ser lembrada, enquanto houver injustiça social no nosso país, para com nossos irmãos do campo. Há 15 anos acontecia o Massacre de Eldorado dos Carajás, onde dezenove PAIS e MÃES de família sem-terra morreram brutalmente assassinados pelas mãos de uma polícia DESPREPARADA e CORRUPTA.

O massacre ocorreu em 17 de abril de 1996, no município de Eldorado dos Carajás, sul do Pará, decorrente da ação da polícia do estado do Pará.

O confronto ocorreu quando 1.500 TRABALHADORES sem-terra que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras, principalmente as do LATIFÚNDIO conhecido como Fazenda Macaxeira. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local, porque estariam obstruindo a rodovia PA-150, que liga Belém ao sul do estado.

O episódio se deu no governo IRRESPONSÁVEL de Almir Gabriel. A ordem para a ação policial partiu de outro IRRESPONSÁVEL, o Secretário de Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara, que declarou, depois do ocorrido, NA CARA DURA, que autorizara “usar a força necessária, inclusive atirar”. De acordo com os TRABALHADORES sem-terra ouvidos pela imprensa na época, os policiais ASSASSINOS chegaram ao local jogando bombas de gás lacrimogêneo. Os TRABALHADORES sem-terra revidaram, se defendendo com foices, facões, paus e pedras (precárias e ineficientes armas contra as potentes armas de fogo do ESTADO). A polícia BANDIDA, acuada pelo revide inesperado, recuou atirando – primeiramente para o alto, e depois, como os sem-terra não se intimidaram e continuaram o ataque, a policia atirou na direção dos manifestantes. Dezenove TRABALHADORES morreram na hora, como bandidos, outras duas morreram anos depois, vítimas das seqüelas, e outras sessenta e sete ficaram feridas e TRAUMATIZADAS pelo resto de suas vidas.

Segundo o legista Nelson Massini, que fez a perícia dos corpos das VÍTIMAS, pelo menos 10 TRABALHADORES sem-terra foram executados friamente. Sete lavradores foram mortos por instrumentos cortantes, como foices e facões, demonstrando um ataque CRUEL e DESNECESSÁRIO, por parte dos ASSASSINOS.

O comando da operação GENOCIDA estava a cargo do coronel FACISTA e CORRUPTO Mário Pantoja de Oliveira, que foi afastado (tarde demais), no mesmo dia, ficando 30 dias no aconchego do seu lar, em prisão domiciliar, determinada pelo governador COVARDE do Estado, e depois liberado. Ele perdeu o comando do Batalhão de Marabá. O ministro INCOMPETENTE da Agricultura, Andrade Vieira, encarregado da reforma agrária, como nunca fez porra nenhuma de concreto em sua pasta, pediu demissão na mesma noite, sendo substituído, dias depois, pelo senador Arlindo Porto.

Uma semana depois do massacre, o Governo Federal confirmou a criação do Ministério da Reforma Agrária e indicou o então presidente doIbama, Raul Jungmann, para o cargo de ministro. José Gregori, que na época era chefe de gabinete do então ministro da Justiça, Nelson Jobim, declarou que “o réu desse crime é a polícia, que teve um comandante que agiu de forma inadequada, de uma maneira que jamais poderia ter agido”, ao avaliar o vídeo do confronto. Tal declaração é,  no mínimo cômoda, quando só se pode chorar pelo sangue derramado…

O então presidente CANASTRÃO, Fernando Henrique Cardoso determinou que tropas do exército fossem deslocadas para a região em 19 de abril com o objetivo de conter a escalada de violência. O presidente pediu a prisão imediata dos responsáveis pelo massacre.

O ministro da Justiça, Nelson Jobim, juntou-se às autoridades policiais e do Judiciário, no Pará, a pedido do governo federal, para acompanhar as investigações. O general Alberto Cardoso, ministro-chefe da Casa Militar da Presidência da República, foi o primeiro representante do governo a chegar a Eldorado dos Carajás.

No começo de maio de 1996, o LATIFUNDIÁRIO Ricardo Marcondes de Oliveira, de 30 anos, foi acusado de ser mandante do crime. Depois, responsabilizou também o dono da fazenda Macaxeira pela matança. Ele o acusou de ter pago propina para que a Polícia Militar matasse os líderes dos sem-terra. Ele mesmo teria sido procurado para contribuir na coleta. O dinheiro seria entregue ao coronel BANDIDO Mário Pantoja, comandante da PM de Marabá, que esteve à frente da operação que resultou no massacre. Nenhum LATIFUNDIÁRIO ou jagunço foi indiciado no inquérito da Policia.

Os 155 policiais militares ASSASSINOS que participaram da operação CRIMINOSA foram indiciados sob acusação de homicídio pelo Inquérito Policial Militar (IPM). Esta decisão foi tomada porque não havia como identificar os policiais BANDIDOS que executaram os TRABALHADORES rurais. Em outubro do mesmo ano, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, determinou que a Polícia Federal reconstituísse o inquérito, pois estava repleto de imperfeições técnicas. Neste parecer, Brindeiro diz ainda que o governador Almir Gabriel autorizou a desobstrução da estrada e que, portanto, tinha conhecimento da operação. No final do ano, o processo, que havia sido desdobrado em dois volumes, ainda estava parado no Tribunal de Justiça de Belém, que trata dos crimes de lesões corporais, e no Fórum de Curionópolis, que ficou encarregado dos homicídios.


Na página da Revista Veja Online, acessada anteontem, dia 15 (http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/reforma_agraria/cronologia.html) publicou um breve resumo histórico da reforma agrária no Brasil. Veja a seguir:

Cronologia

A questão fundiária no país é tão antiga quanto a própria formação de seu território. Depois de séculos de concentração de terras, os trabalhadores sem lugar para plantar passam a se unir na reivindicação pela reforma agrária na segunda metade do século 20. Em resposta, os fazendeiros se armam – os confrontos no campo matam mais de 600 pessoas na década de 80. O tema volta a ganhar destaque com a formação do MST e, posteriormente, com o massacre de Eldorado dos Carajás. Acompanhe o que aconteceu desde a tragédia até a primeira reunião do presidente Lula com os sem-terra no Planalto.

abril de 1996
Dezenove sem-terra morrem em confronto com a polícia durante um confronto numa estrada de Eldorado dos Carajás, no Pará. A polícia militar é acusada de massacrar os trabalhadores rurais, executando os participantes de um bloqueio na via. O caso ganha repercussão internacional e o presidente Fernando Henrique Cardoso lamenta o ocorrido, prometendo dedicar mais esforços à solução dos problemas no campo.

maio de 1996
O governo federal recria o Ministério da Reforma Agrária, extinto por Fernando Collor em 1990. O titular da pasta é Raul Jungmann, economista pernambucano do PPS.

junho de 1996
Novo conflito armado entre os sem-terra e fazendeiros, no Maranhão, faz quatro mortos e cinco feridos.

novembro de 1996
O Exército mobiliza 2.000 homens para proteger as terras do presidente Fernando Henrique Cardoso em Minas Gerais, ameaçadas de invasão.

dezembro de 1996
O governo cria um novo imposto territorial rural para combater a manutenção dos latifúndios improdutivos.

janeiro de 1997
Mais três trabalhadores sem-terra são assassinados no Pará por jagunços na invasão de uma fazenda. Com isso, o Pará acumula 44 mortes de sem-terra em dois anos.

março de 1997
Uma pesquisa do Ibope revela que os brasileiros são a favor da reforma agrária, mas condenam as invasões de terra e acham que elas dificultam a solução do problema.

abril de 1997
Depois de uma longa marcha que partiu de diversos pontos do país, os sem-terra liderados pelo MST chegam a Brasília e são recebidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Planalto. FHC aceitou negociar com os sem-terra, mas não promete fazer a reforma agrária.

setembro de 1997
Fazendeiros são mantidos como reféns e espancados durante cinco horas no Paraná. Como resultado, o ministro da Justiça, Iris Rezende, responsável pela política de segurança do governo federal, defende o apoio da polícia aos fazendeiros.

março de 1998
O MST muda subitamente de tática. Antes, o MST ocupava fazendas. Agora, ocupa salas nas regiões urbanas. Antes, exigia terras para semear. Agora, além de terras, quer discutir as condições dos financiamentos que o governo lhe proporciona.

abril de 1998
Depois do assassinato a tiros de dois líderes dos sem-terra no Pará, o governo federal convoca a Polícia Federal e o Exército, que deslocou 500 homens para controlar os ânimos na região. Em protesto contra as mortes, o MST mobiliza 25.000 famílias e invade 26 fazendas em cinco Estados.

setembro de 1998
Diante de novas ameaças de invasão, incluindo na sua própria fazenda, em Minas Gerais, FHC transforma os conflitos de terra em problema dos fardados, envolvendo os militares na questão.

abril de 2000
O MST “comemora” os 500 anos de descobrimento do Brasil com um mutirão de protesto. Seus militantes organizaram invasões de terra e depredações de propriedades públicas em treze Estados, entre eles Alagoas, Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco e São Paulo.

maio de 2000
O MST invade prédios públicos em quinze capitais e um militante é morto pela polícia. O Palácio do Planalto anuncia um pacote de 8 bilhões de reais para o financiamento da agricultura familiar e para reforçar o caixa da reforma agrária – uma forma de inibir os ataques do MST.

julho de 2000
Os integrantes do MST se reúnem com representantes do governo em Brasília, mas a reunião termina sem qualquer decisão prática nem declaração de trégua.

setembro de 2000
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, entra em confronto com o governo por causa dos sem-terra – ele exige a retirada de tropas que defendem a fazenda de FHC e pede estudo para desapropriá-la.

junho de 2001
Por decisão do governo, metade da área da Fazenda Itamarati do empresário Olacyr de Moraes, que por trinta anos foi um símbolo nacional da agricultura moderna, é entregue a 1.300 famílias ligadas ao MST e outras organizações de trabalhadores rurais.

abril de 2002
Na ação mais espetacular e agressiva de sua história, o MST invade a fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, a Córrego da Ponte, no município de Buritis, em Minas Gerais. Lá, os sem-terra permaneceram 22 horas, arrasaram a despensa e a adega, danificaram colheitadeiras e tratores, mataram galinhas e perus, mexeram em papéis privados. No auge do deboche, deitaram-se na cama do presidente e abriram o guarda-roupa da primeira-dama.

março de 2003
Depois de quase um ano de retração, os integrantes do MST voltam a aparecer. A trégua concedida durante a campanha eleitoral e a posse de Lula termina com invasões de terras e prédios públicos em seis Estados. Um representante do movimento avisa que acabou a lua-de-mel com o governo Lula.

junho de 2003
Depois de vários atos violentos envolvendo o MST (no Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Pará, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo), o presidente Lula aproveita o lançamento do Plano Safra para a Agricultura Familiar para pedir paciência ao MST.

julho de 2003
Lula recebe os líderes do MST no Planalto. O presidente põe na cabeça o boné vermelho do grupo e causa polêmica entre os ruralistas. No encontro, os sem-terra pedem o assentamento de 1 milhão de famílias, mas o governo não promete cumprir essa meta. Os ministros da Justiça, Casa Civil, Agricultura e do próprio Desenvolvimento Agrário alertam que os atos extremistas do MST e dos fazendeiros armados não serão tolerados.


A pergunta que fica disso tudo é: Até quando, vidas de brasileiros serão ceifadas por causa da incompetência e da má vontade das “autoridades” que se dizem “representantes do povo”? Que povo esses caras representam?

No final das contas, como a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, os TRABALHADORES é que acabam pagando de bandidos e desordeiros como no texto citado acima desse semanário facista que é a Revista Veja.

Que esta data de hoje, sirva para uma profunda reflexão: É esse o país que eu quero deixar para o futuro?

O POVO UNIDO GOVERNA SEM PARTIDO!!!

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