Aniversariante do dia!

Hoje, o Sr. Robert Allen Zimmerman completa 70 anos de idade.

Para quem não o conhece, ele nasceu em Minnesota (EUA). Neto de imigrantes judeus russos, aos dez anos de idade o pequeno Robert já escrevia seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho.

Ele era apenas um garoto caipira simples, que costumava imitar ídolos já consagrados como Little Richard e Buddy Holly, mas quando foi para a Universidade de Minnesota em 1959, voltou-se para a folk music, impressionado com a obra musical do lendário cantor folk Woody Guthrie, a quem foi visitar em Nova York em 1961.

Ao longo desses 49 anos de carreira, Robert já lançou mais de 45 álbuns desde 1962 (quase 04 discos por ano). Começou como um legítimo representante do folk tradicional e algumas de suas músicas tornaram-se hinos de toda uma geração de jovens ao redor do mundo, sendo ele mesmo um dos precursores da contracultura norte-americana dos anos 60 e 70.

Mas logo, incomodado com o título de “cantor de protestos”, Robert mudou seus rumos artísticos, afastando-se do movimento folk de protesto e voltando-se para canções mais pessoais, instrospectivas, ligadas a uma visão mais particular de mundo.

As questões sócio-políticas de seu tempo, tais como o racismo, a guerra fria, a guerra do Vietnã, a injustiça social, foram cedendo espaço para a temática das desilusões amorosas, amores perdidos, vagabundos errantes, liberdade pessoal, viagens oníricas e surrealistas, embaladas pela influência da poesia beat.

Esta transição se deu entre 1964 e 1966, quando Robert eletrifica a sua música, passa a tocar com uma banda de blues-rock como apoio e choca a plateia folk, com sua aproximação ao rock. Na época, muitos ignoravam que o jovem Robert já havia tocado rock and roll na adolescência e apreciava artistas country como Johnny Cash, que já trabalhavam com instrumentos elétricos desde os anos 50.

O sucesso dos Beatles e demais roqueiros britânicos na releitura do rock americano também lhe chamaram a atenção. Em compensação, foi aclamado pela crítica, ampliou o seu público (mesmo sendo chamado de “traidor” por alguns fãs da época folk), tornando-se cada vez mais influente entre artistas contemporâneos (John Lennon que o diga) e lançando os mais apreciados discos de sua carreira, com uma série de canções clássicas de seu repertório.

Em maio de 1966, após uma tumultuada turnê pela Inglaterra, devido ao formato rock dos shows, Robert sofreu um grave acidente de moto que o afastou dos palcos e gravações até 1968. Em seu retorno, surpreendeu o público e a crítica com o álbum “John Wesling Hardin”, fortemente influenciado pelo country, tendência que acentuou-se no trabalho seguinte, “Nashville Skyline”.

Após seu divórcio em 1977, Robert viveu uma grande crise pessoal, que refletiu-se em seu trabalho artístico. Depois de uma turnê mundial em 1978, em parte registrada no duplo ao vivo “At Budokan” (gravado no Japão), ele voltou-se para a música gospel, após converter-se ao cristianismo e filiar-se a uma igreja. Foi o período mais controverso e polêmico de sua carreira, principalmente por afastar-se de seu repertório clássico e investir em canções com temática cristã.

Com “Infidels” (Literalmente Infiéis), de 1983, Robert afasta-se da fé cristã, volta-se inesperadamente para as suas raízes judaicas e parece reencontrar certo equilíbrio artístico. Bem recebido pela crítica, é considerado seu melhor álbum desde Desire. As apresentações ao vivo, em que volta a interpretar suas canções clássicas, marcam uma reconciliação com seu público.

No início dos anos 90, o velho Robert parece dar uma pausa na carreira. Para comemorar e fazer um balanço de seus 30 anos de trajetória, ele volta a gravar folk tradicional, acústico, sem importar-se com o pouco apelo comercial deste gênero nos dias atuais. Em 1992 é realizado um show-tributo em grande estilo, com a participação de vários nomes do rock, country e do soul cantando suas músicas, tais como Eric Clapton, George Harrison, Stevie Wonder, Neil Young, Willie Nelson, Lou Reed, Eddie Vedder entre outros.

Depois do acústico produzido para a MTV em 1994, Robert só voltaria com um CD de inéditas em 1997. O álbum “Time Out Of Mind” ganharia vários prêmios Grammy e foi considerado por muitos uma nova ressurreição artística, confirmada pela qualidade de “Love and Theft” (2001). Neste mesmo ano a revista Rolling Stone publicou uma lista com as 500 melhores músicas da história e em primeiro lugar ficou Like a Rolling Stone, de Robert Zimmerman, ou simplesmente Bob Dylan.

Atualmente registra-se um novo interesse pela vida e obra de Dylan, com o lançamento oficial de várias gravações piratas, além do lançamento do documentário “No Direction Home”, de Martin Scorsese, que flagra os anos iniciais de sua carreira (1961-1966) e, mais recentemente, com “Modern Times”, seu novo álbum lançado em 2006, com o qual, pela quarta vez na carreira, Dylan conquistou a liderança do ranking dos mais vendidos dos Estados Unidos, vendendo 192.000 cópias na primeira semana.

Vida longa a Bob Dylan!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s