O que eu quero mesmo é sonhar…

Ela acariciou meu rosto, me dizendo que eu parecia com um pirata. Engraçado! Logo eu que sempre preferi o Capitão Gancho ao Peter Pan… Então eu ri como um menino, enquanto me fascinavam aqueles olhos azuis, capazes de penetrar minha alma e adivinhar meus pensamentos.

E por um instante eu me senti realmente como um pirata, navegando no mar azul daqueles olhos distantes. E caminhando pelas areias brancas daquela pele alva.

Ela me fez lembrar antigas canções que eu compus e de velhas palavras que jamais pronunciei. E cada vez que ela sorria, eu mergulhava nas águas calmas dos seus beijos, sentindo o aroma fresco da eterna juventude que ela exala.

Lá fora a chuva cantava uma canção, bem baixinho, quase sussurrando. E na penumbra daquela sala – antes fria e indiferente – a luz amarela do poste da rua deixava ainda mais dourados aqueles cabelos que aqueciam meu coração, junto com o vinho tinto que tingia nosso sangue.

E no meio da noite ela se foi, como um sonho bom que se acaba em brumas. E tudo que me restou foi a doce lembrança de um anjo translúcido em forma de mulher.

Terá sido um sonho? Talvez, sim. Talvez, não. Não importa. O que eu quero mesmo é sonhar…

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5 comentários sobre “O que eu quero mesmo é sonhar…

  1. Que texto adorável, de uma sensibilidade à flor da pele… Andei explorando as postagens antigas e descobri o hilário texto Piratas das Pedrinhas. É de um humor delicioso, com as doses exatas de ironia e graça. Uma crônica para republicar! Um beijo.

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