As Runas me diziam…

Há muito tempo o Homem já me dizia: “É hora de mudar; de relacionar-se corretamente com seu Eu interior, porque dele fluem todos os possíveis relacionamentos corretos com os outros e com o Divino”. Mas eu não conseguia ouvir e seguia rigoroso e medíocre comigo mesmo.

Há muito tempo o Amor já me dizia: “O verdadeiro amor é alcançado apenas por seres separados e inteiros, que retenham sua unicidade, mesmo estando unidos”. Mas eu não conseguia ouvir e seguia os passos de um amor doente, que morria a cada dia, mas que eu insistia incessantemente em mantê-lo vivo – embora mobribundo – ao meu lado.

“Novas vidas começam com novas conexões, elos imprevistos que nos orientam para novos caminhos” – dizia-me a Boca há muito tempo. Mas eu não conseguia ouvir e seguia insistindo no mesmo caminho que já não era capaz de me conduzir a lugar algum. Mas eu seguia, talvez por mero capricho ou teimosia, sei lá…

O Velho me gritava uma vez: “Este é o momento para caminhos separados!”. Peles antigas precisavam ser mudadas, relacionamentos obsoletos precisavam ser rejeitados. Mas eu não conseguia ouvir e seguia avançando cego, quando o certo era recuar e aceitar as mudanças que a vida me ofertava.

“Sua vida levada até agora ultrapassou a própria forma. Essa forma precisa morrer, a fim de que seja liberada energia vital em novo nascimento, uma nova forma”. – Aconselhava-me a Força. Mas eu tinha medo das trevas que sempre envolvem o crescimento e a mudança. Sim, as trevas! Porque a progressão consiste de cinco partes: morte, decomposição, fertilização, gestação e renascimento. Essa é a lei imutável da evolução das coisas na natureza. Mas eu só conseguia enxergar as perdas, sem ver que, às vezes, na vida, as oportunidades vêm disfarçadas em perdas.

Mas enquanto eu seguia errante, errado, o destino se encarregava de trabalhar e poderosas forças de mudança entravam em atuação, ainda que eu não percebesse. Primeiramente foi a visão de um anjo de relance. E essa imagem se desvaneceu diante dos meus olhos e perdeu-se por entre as brumas do tempo por duas vezes, até que eu estivesse realmente preparado para aquele encontro mágico definitivo.

Enquanto aquele momento não vinha, eu, solitário, lutava contra as sujeições severas impostas pelo meu destino. Eu estava sozinho neste campo de batalha terrível. Eu lutava sozinho contra mim mesmo em meu Ragnarök interior. Como Odin, eu estava ali sendo uma oferenda de sacrifício a mim mesmo.

Mas minha alma ansiava por harmonia e ajustamento. O que eu precisava era terminar de vez o que eu havia começado há vários anos e não conseguia me desvencilhar. Mas agora eu já sentia que possuía força suficiente para tomar decisões, romper de vez com o passado e partir para novos começos.

Era preciso, no entanto, paciência, para evitar confusões. Eu não poderia mais, daí em diante, simular necessidades ou ansiar por desfechos que, no fundo, eu sabia que não eram mais para mim. Não me pertenciam mais.

Foi quando eu aprendi a controlar minhas emoções – tanto nos altos, como nos baixos. E ao ver-me sofrendo eu considerava a dor, ficava com ela, mas não tentava mais fechar a cortina e sair da cena da vida, pela negação do que estava acontecendo. Eu me mantive firme como um totem.

Dessa firmeza veio a nova percepção do significado de ganho na minha vida e eu pude, finalmente, ter clareza de pensamento suficiente para constatar se o requerido para meu bem-estar eram as riquezas e bens materiais ou, antes, o domínio de mim mesmo e o desenvolvimento do meu poder sobre a minha vontade. Fiquei com esta última opção. E só assim encontrei novamente alegria e luz em minha vida: Era meu anjo de olhos azuis e cabelos dourados que voltava para, desta vez, ficar de vez em minha vida.

As mudanças devidas aconteceram, o solo já havia sido preparado e a semente já havia sido plantada e eu agora podia colher os frutos de uma nova vida. E com essa abertura, com essa claridade renovada, as trevas que me amortalhavam parte de minha vida foram expulsas. Como um guerreiro espiritual, eu havia vencido a batalha comigo mesmo. E daqui pra frente só o que eu vejo é crescimento, movimento, progresso, fluidez e a desintegração total de um passado que já não faz mais parte de mim.

Agora as Runas me falam de uma sintonia perfeita e de duas partes distintas que se unem numa só mente e num só coração. É claro que ainda existe trabalho a ser feito. E esse trabalho tem que ser feito com capricho e carinho todos os dias. Mas é justamente esse trabalho que garante a consolidação das mudanças em nossas vidas; nos dá paciência para enfrentar os momentos de dificuldade e nos proporciona a integralidade que a nossa natureza requer.

Agora as Runas me falam de uma entrega sem precedentes, de um salto no abismo, de um ato de coragem e fé. E eu estou pronto para isso…

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