Crônica de uma saudade

… E então me vi sozinho, deitado sobre a partitura de um adágio em sol maior, como o de Albinoni. Em meio à melancolia e à ansiedade de reencontrar-me com Ela, vesti uma roupa de domingo e saí pelas ruas, carregando no rosto, além de um semblante triste e um olhar distante, o cheiro da chuva que se anunciava para breve e, nas mãos, um livro de Vinícius. Por mais que eu caminhasse por ruas, estradas e caminhos, por mais que centenas de pessoas cruzassem meus passos aleatórios, eu não conseguia ver o rosto d’Ela. Procurei-a por todos os lugares – ruas e rios, risos e olhares – mas eu não a encontrava. “E eu que preciso d’Ela como um pássaro precisa de céu”, pensava. Acordei com batidas intermitentes na porta. Olhei pela janela e era Ela! E então Ela deitou-se por sobre a minha partitura, transformando em alegro cantante aquele adágio triste…

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