As novas divas do Soul

Quem gosta de boa música não pode ignorar o Soul, bem como seus irmãos R&B, Jazz, Blues e (por que não?) o Pop. E quem é fã deste gênero musical negro norteamericano, descendente direto do Rhythm and Blues e do gospel do final da década de 50 igualmente não pode ignorar nomes consagrados como Ben E. King, Ray Charles, Solomon Burke, Jackie Wilson, Sam Cooke e os Isley Brothers, artistas que fundiram a paixão dos vocais gospel com a música cativante e rítmica do R&B.

O Soul é muito emotivo – não é à toa que significa alma, em inglês – a melodia é bem ornamentada e com improvisações e efeitos sonoros dos instrumentos. Os ritmos pegam facilmente, aliados a uma interpretação dramática do vocalista principal.

Entre os principais artistas, além dos já citados, podemos destacar as divas do gênero, tais como Aretha Franklin, Esther Phillips, Whitney Houston, Janet Jackson e Tina Turner, além das gerações mais novas como Mary J. Blige,Lauryn Hill, Erykah Badu e, claro, Amy Winehouse.

 

Por esses dias eu estava folheando a revista Veja (edição 2228 – ano 44 – nº31, de 03 de agosto de 2011) quando, na página 110, deparei-me com um texto bastante lúcido do crítico musical e articulista Sérgio Martins, intitulado “Uma eterna promessa”, cujo sub-título afirmava: “Amy Winehouse foi uma grande cantora, mas, ao contrário de outros roqueiros que morreram cedo, não deixa uma grande obra”. Confesso que isso me incomodou um pouco, pois eu sou apaixonado pelo trabalho que ela deixou para o mundo, mas também fiquei curioso em conhecer os argumentos do jornalista.

No texto, ele fala que a morte física de Amy “vem abreviar a lenta morte artística que ela vinha encenando em sucessivos fiascos nos palcos”, apesar de que, “no princípio, sua carreira anunciava-se excepcional”. O artigo segue fazendo uma breve retrospectiva biográfica e artística da cantora e elogia seu vozeirão e seu talento inquestionável como letrista. Mas uma coisa me chamou atenção no texto. Quando Sérgio fala do segundo e último disco lançado por Amy, Back to Black, ele diz que “o disco abriu caminho para uma nova moda de cantoras de Soul de voz rascante, como Duffy e Adele”.

Eu já tinha ouvido uma música de Duffy (Stepping Stone),  cantora, compositora e atriz britânica, nascida no País de Gales e que tem a mesma idade de Amy, 27 anos, mas que talvez esteja longe da “maldição dos 27”. Foi paixão à primeira audição. Seu álbum de estréia, Rockferry, lançado em 2008, entrou na UK Albums Chart em 1º lugar. Foi o álbum mais vendido na Grã-Bretanha naquele ano, com 1,68 milhões de cópias vendidas. O álbum foi certificado como Disco de Platina por diversas vezes, e vendeu mais de 6 milhões de cópias em todo o mundo, gerando os hits “Mercy” e “Warwick Avenue”. Com “Mercy”, Duffy se tornou a primeira mulher galesa de 25 anos atingir o número um no UK Singles Chart. Em 2009, ela ganhou o Grammy de Melhor Álbum Pop Vocal com Rockferry, e ela também foi indicada para outras categorias. Em 2009 ela ganhou três Brit Awards, por Melhor Artista Feminina a Solo e Melhor Álbum Britânico. Duffy lançou seu segundo álbum Endlessly, no Reino Unido em 29 de novembro de 2010.

Quanto a Adele – depois que eu corri para pesquisar um pouco – eu não me perdoo de ter passado tanto tempo de minha vida sem ter ouvido esta também inglesa de 23 anos e que foi a primeira a receber o prêmio Critics’ Choice do BRIT Awards e foi nomeada “artista revelação” em 2008 pelos críticos da BBC. Em 2009, Adele ganhou dois Grammy Awards de “Artista Revelação” e “Melhor Vocal Pop Feminino”. Teve seu reconhecimento mundial ao lançar o álbum 21 e dominar as paradas de sucesso nos Estados Unidos e Reino Unido com o single “Rolling In The Deep. Adele atraiu a atenção da XL Recordings com suas três demos no seu perfil no MySpace e acabou por assinar com a gravadora. Desde a sua estreia, o álbum 19 de Adele foi aclamado pela crítica e foi um sucesso em vendas. O álbum estreou em número um e recebeu três certificações de platina no Reino Unido. Sua carreira de sucesso nos Estados Unidos começou após uma apresentação sua no programa Saturday Night Live em 2008. Adele lançou seu segundo álbum 21 em 24 de janeiro de 2011 na Inglaterra e em 22 de fevereiro nos Estados Unidos. O álbum foi um sucesso comercial e com a crítica, vendendo 208 mil cópias na primeira semana de vendas no Reino Unido estreando em primeiro lugar na UK Albums Chart e também liderou as paradas de vendas em vários países. O CD também estreou muito bem nos Estados Unidos alcançando a primeira posição na Billboard 200 vendendo 352 mil cópias na primeira semana.

Depois de uma aclamada performance ao vivo no BRIT Awards de 2011, a canção “Someone Like You” chegou ao primeiro lugar das paradas de sucesso no Reino Unido, enquanto o álbum também permaneceu como número um no país. A Official Charts Company anunciou que Adele é a primeira artista a alcançar, ainda viva, a ter uma canção e um álbum como número um ao mesmo tempo na Inglaterra desde Os Beatles em 1964.

As novas divas do Soul podem até vir agora no rastro do sucesso post mortem de Amy Winehouse, até porque, como é comum aos artistas pop após morrer, sua obra vira febre e, com toda certeza, o estilo de Amy, já seguido em vida por Duffy e Adele vão se fortalecer cada vez mais.

Conhecer o trabalho dessas duas belíssimas vozes foi uma surpresa formidável. Só espero que não fique na modinha…

*Se tiver a fim de conhecer mais um pouco visite:

www.adele.tv

www.iamduffy.com

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2 comentários sobre “As novas divas do Soul

  1. Grande mestre Silvio, As cantoras citadas são ótimas! Curto muito o som delas, mas ficou faltando uma nessa lista de nova cantora, Sharon Jones tb tem uns sons maneiros!! Escute lá brother !

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