A goiabeira mágica

Pausa para o café. No quintal da repartição tem uma goiabeira mágica. Sim, mágica. Porque todas as vezes que eu a contemplo, ela tem o poder de me levar pelas asas do tempo, de volta aos meus dias de criança, quando eu costumava passar minhas férias escolares na casa da minha avó materna.

De repente eu começo a ver aquele menino moreno, barrigudinho, de cabelos encaracolados, correndo de pés descalços, só de cueca, pelo quintal da casa da vovó. O menino olhava com olhinhos brilhantes para o alto daquela goiabeira, em busca da goiaba mais docinha e subia rápido como um sagui por entre os galhos finos – porém resistentes – da frondosa árvore. E lá em cima ficava por horas intermináveis.

Às vezes, quando o menino aprontava muito, os galhinhos finos daquela mesma goiabeira eram usados como açoite, que chegavam a zunir no ar, antes de estalar nas pernas e na bunda do menino traquinas – isso, claro, quando conseguiam alcançá-lo!

De repente, acordo e volto à realidade dos dias atuais. Percebo que o menino barrigudinho sumiu; que a goiabeira morreu; que a casa da avó materna não existe mais…

Olho para o copo de café e percebo que este também acabou, assim como também acabou a pausa no trabalho. Hora de recomeçar…

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