Ensaio sobre o Anarquismo (parte 1)

Após um bom tempo sem atualizar este blog – período de reciclagem interna – resolvi abordar um tema que sempre me fascinou: O Anarquismo. Justamente por ser uma teoria política tão polêmica e contestada, é que talvez esta sempre tenha sido a minha preferida, dentre todas as correntes do pensamento social moderno.

Neste artigo eu pretendo abordar alguns aspectos gerais do Anarquismo – principalmente para aqueles que o desconhecem. É um absurdo, por exemplo, que nas escolas, os professores de História simplesmente ignorem esse capítulo tão importante para formação e informação da sociedade em geral.

Por que resolvi falar sobre isso? – Porque ultimamente eu venho percebendo algumas coisas acontecerem ao redor do mundo contemporâneo que me levam a pensar no Anarquismo como uma alternativa real para a humanidade. Senão vejamos: sustentabilidade, consciência ecológica, liberdade de expressão, defesa das minorias e pluralidade de gêneros, entre outras coisas, sempre foram bandeiras levantadas pelos anarquistas ao longo da história, ao passo que, em nome da democracia (de direita, de centro ou de esquerda), o estado, bem como instituições atreladas a ele, se acham no direito de controlar a vida de todos.

Assim, esse estudo superficial sobre o Anarquismo pretende, de forma clara e esclarecida, da forma menos utópica possível, trazer uma nova luz sobre a importância das teorias anarquistas para o mundo de hoje. Além disso, este artigo are os trabalhos de um novo blog chamado Vou Livre, que tratará sobre questões relacionadas à cultura libertária de um modo geral – aproveite para visitar e comentar o link ao final deste texto.

 

Vamos começar pelo começo…

A palavra Anarquismo vem do grego anarkhos, que significa “sem governantes”, que por sua se constitui do prefixo an-, “sem” + arkhê, “soberania, reino, magistratura” + o sufixo ismós, da raiz verbal izein. É, portanto, desde sua etimologia, uma filosofia política que engloba teorias, métodos e ações que objetivam a eliminação total de todas as formas de governo compulsório. Isso é importante esclarecer, pois, muitos opositores do Anarquismo e até mesmo muitas pessoas que se dizem anarquistas, costumam acreditar que o Anarquismo não é uma forma de se fazer política, sendo que, aqueles que se recusam a fazer política ou não se interessam por política são, na verdade, apolíticos – ou para usar um termo bastante difundido pelo teórico socialista Karl Marx, alienado. Diante do conceito etimológico da palavra, é importante deixar claro que Anarquia significa ausência de coerção e não a ausência de ordem.

A noção equivocada de que Anarquia é sinônimo de caos se popularizou entre o fim do século XIX e o início do século XX, através dos meios de comunicação e de propaganda patronais, mantidos por instituições políticas e religiosas. Nesse período, em razão do elevado grau de organização dos segmentos operários, de fundo libertário, surgiram inúmeras campanhas antianarquistas.

Outro equívoco banal é se considerar Anarquia como sendo a ausência de laços de solidariedade (indiferença) entre os homens – como se a Anarquia conduzisse ao egoísmo exacerbado dos indivíduos. À ausência de ordem – ideia externa aos princípios anarquistas -, dá-se o nome de “anomia”.

Passando da conceituação do Anarquismo à consolidação dos seus ideais, existe uma série de debates em torno da forma mais adequada para se alcançar e se manter uma sociedade anárquica. Eles perpassam a necessidade ou não da existência de uma moral anarquista, de uma plataforma organizacional, questões referentes ao determinismo da natureza humana, modelos educacionais e implicações técnicas, científicas, sociais e políticas da sociedade pós-revolução. Nesse sentido, cada vertente do Anarquismo tem uma linha de compreensão, análise, ação e edificação política específica, embora todas vinculadas pelos ideais-base do Anarquismo. O que realmente varia, segundo os teóricos, são as ênfases operacionais. (continua em http://voulivre.wordpress.com/)

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