Como diria Belchior…

A caveira do Belchior deve querer arrancar os fios espessos do seu bigodão cada vez que, lá do além, vê alguém, aqui do aquém, ficar repetindo suas frases totalmente fora de contexto nas redes sociais só pra parecer inteligente. É o caso da já batida frase “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”… – frase que, aliás ele tomou emprestada do cordelista paraibano Zé Limeira.
Lembro bem o quanto me incomodou o fato de as mentes geniais da internet, lá no início da pandemia, por volta de março de 2020, ficarem repetindo “O dia em que a terra parou”, de Raul Seixas e Cláudio Roberto, como tendo sido uma grande profecia. Coisa de gente que mal conhece a obra e as ideias do Maluco Beleza e que grita “toca Raul” até em show de crente, querendo ser o diferentão descolado… Foda-se! Não tenho paciência pra esse tipo de cretinice.
A porra da Terra não parou! Devia ter parado, mas não parou! Principalmente no Brasil, o empregado, fodido, continuou saindo pro seu trabalho, porque não tinha nenhuma garantia de receber o tal auxílio emergencial. A dona de casa continuou saindo pra comprar pão pois o coitado do padeiro também tava lá, firme e forte. O guarda saiu para prender e o ladrão continuou roubando normalmente. Nas igrejas, alguns sinos não bateram, mas os pastores continuaram pregando a desinformação e a vigarice sem parar, porque os fiéis são fiéis, afinal de contas. O aluno não saiu para estudar. Mas porque esses nunca estudam porra nenhuma mesmo. Os professores ficaram lá no Whatsapp, fingindo que estavam dando aula enquanto os pais dos alunos fingiam que eram os filhos estudando. O comandante e a turma do quartel não saíram pra guerra porque tiveram que ficar estocando latas de leite condensado. Muitos pacientes não saíram pra se tratar porque os hospitais não tinham mais leito disponível e outros voltaram pra casa com uma receita de cloroquina. E por aí vai…
Voltando para Belchior, a turma que só tem, no máximo, 2 bits de inteligência acreditou que a frase “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” era um grande achado, uma vez que 2020 foi um ano difícil e 2021 seria um ano mágico, com todo mundo tomando vacina e bebendo leite condensado. Aí entrou janeiro e tivemos aumento nos números de casos da covid-19.1 (atualização do vírus já com a nova cepa), enquanto o Bostão se esbaldava no Guarujá com seu séquito de puxa-sacos; a Ford fechando a produção e deixando 5 mil trabalhadores desempregados; mais 5 mil bancários do BB também desempregados; o Amazonas sem oxigênio; 100 milhões de infectados no mundo e… só quem tomou leite condensado foi o Governo Federal – as latas que sobraram foram todas pro cu da imprensa e a população ficou só gritando “mito, mito, mito”…
Aí você, que leu esse texto até aqui, agora ficou puto porque eu disse que a população ficou gritando “mito”? E eu pergunto: E não foi? Ou você acredita mesmo que alguma coisa mudou no reino da Brasilândia? Viram a festa que fizeram para recebê-lo em Alagoas? No fundo você sabe que não haverá impeachment coisa nenhuma. É mais fácil ter Carnaval esse ano!
Falando em Carnaval, lembrei de um ditado que dizia: “O Brasileiro não se preocupa com a sua história, porque o que acontecer hoje, amanhã pode virar enredo de escola de samba” – ou meme…
Presentemente, eu posso me considerar um sujeito de sorte. Porque, apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte. E tenho, comigo, pensado: “Se Deus é brasileiro, já deve ter imigrado”. E, assim, já não posso garantir que não vou sofrer como no ano passado. Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro com tanta morte e descaso. E pra quem tem alguma esperança ainda de que esse ano vai ser melhor como num passe de mágica, eu digo em alto e bom som: Ano passado, é minha pica… Mas esse ano é meu ovo!

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