Como diria Belchior…

A caveira do Belchior deve querer arrancar os fios espessos do seu bigodão cada vez que, lá do além, vê alguém, aqui do aquém, ficar repetindo suas frases totalmente fora de contexto nas redes sociais só pra parecer inteligente. É o caso da já batida frase “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”… – frase que, aliás ele tomou emprestada do cordelista paraibano Zé Limeira.
Lembro bem o quanto me incomodou o fato de as mentes geniais da internet, lá no início da pandemia, por volta de março de 2020, ficarem repetindo “O dia em que a terra parou”, de Raul Seixas e Cláudio Roberto, como tendo sido uma grande profecia. Coisa de gente que mal conhece a obra e as ideias do Maluco Beleza e que grita “toca Raul” até em show de crente, querendo ser o diferentão descolado… Foda-se! Não tenho paciência pra esse tipo de cretinice.
A porra da Terra não parou! Devia ter parado, mas não parou! Principalmente no Brasil, o empregado, fodido, continuou saindo pro seu trabalho, porque não tinha nenhuma garantia de receber o tal auxílio emergencial. A dona de casa continuou saindo pra comprar pão pois o coitado do padeiro também tava lá, firme e forte. O guarda saiu para prender e o ladrão continuou roubando normalmente. Nas igrejas, alguns sinos não bateram, mas os pastores continuaram pregando a desinformação e a vigarice sem parar, porque os fiéis são fiéis, afinal de contas. O aluno não saiu para estudar. Mas porque esses nunca estudam porra nenhuma mesmo. Os professores ficaram lá no Whatsapp, fingindo que estavam dando aula enquanto os pais dos alunos fingiam que eram os filhos estudando. O comandante e a turma do quartel não saíram pra guerra porque tiveram que ficar estocando latas de leite condensado. Muitos pacientes não saíram pra se tratar porque os hospitais não tinham mais leito disponível e outros voltaram pra casa com uma receita de cloroquina. E por aí vai…
Voltando para Belchior, a turma que só tem, no máximo, 2 bits de inteligência acreditou que a frase “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” era um grande achado, uma vez que 2020 foi um ano difícil e 2021 seria um ano mágico, com todo mundo tomando vacina e bebendo leite condensado. Aí entrou janeiro e tivemos aumento nos números de casos da covid-19.1 (atualização do vírus já com a nova cepa), enquanto o Bostão se esbaldava no Guarujá com seu séquito de puxa-sacos; a Ford fechando a produção e deixando 5 mil trabalhadores desempregados; mais 5 mil bancários do BB também desempregados; o Amazonas sem oxigênio; 100 milhões de infectados no mundo e… só quem tomou leite condensado foi o Governo Federal – as latas que sobraram foram todas pro cu da imprensa e a população ficou só gritando “mito, mito, mito”…
Aí você, que leu esse texto até aqui, agora ficou puto porque eu disse que a população ficou gritando “mito”? E eu pergunto: E não foi? Ou você acredita mesmo que alguma coisa mudou no reino da Brasilândia? Viram a festa que fizeram para recebê-lo em Alagoas? No fundo você sabe que não haverá impeachment coisa nenhuma. É mais fácil ter Carnaval esse ano!
Falando em Carnaval, lembrei de um ditado que dizia: “O Brasileiro não se preocupa com a sua história, porque o que acontecer hoje, amanhã pode virar enredo de escola de samba” – ou meme…
Presentemente, eu posso me considerar um sujeito de sorte. Porque, apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte. E tenho, comigo, pensado: “Se Deus é brasileiro, já deve ter imigrado”. E, assim, já não posso garantir que não vou sofrer como no ano passado. Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro com tanta morte e descaso. E pra quem tem alguma esperança ainda de que esse ano vai ser melhor como num passe de mágica, eu digo em alto e bom som: Ano passado, é minha pica… Mas esse ano é meu ovo!

Impeachment: Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come…

Impeachment é um processo político-criminal instaurado por denúncia no Congresso para apurar a responsabilidade do presidente da República, governador, prefeito, ministro do Supremo Tribunal ou de qualquer outro funcionário de alta categoria, por grave delito ou má conduta no exercício de suas funções, cabendo ao Senado, se procedente a acusação, aplicar ao infrator a pena de destituição do cargo.

A denúncia pode ser a de evidente existência de organização criminosa, ou ainda, por crime comum; crime de responsabilidade; abuso de poder; desrespeito às normas constitucionais ou violação de direitos pétreos previstos na Constituição.

Em 1955, a Câmara dos Deputados e o Senado votaram pelo impedimento dos presidentes Carlos Luz e Café Filho, apesar de não ser seguida a Lei do Impeachment, pois os deputados e os senadores entenderam que a situação era extremamente grave, com risco de guerra civil, e finalizaram os julgamentos em poucas horas, sem dar aos presidentes o direito de se defenderem na Câmara e no Senado, casos que são pouco conhecidos pela população brasileira. Em 29 de dezembro de 1992, Fernando Collor, renunciou pouco antes de ser condenado no processo de impeachment, tornando-se inelegível por oito anos. Finalmente, em 31 de agosto de 2016, Dilma Rousseff foi cassada, tornando-se a primeira pessoa na presidência a ser destituída por impeachment.

Ultimamente tem-se falado em impeachment contra Bolsonaro. A oposição tem argumentos fortes para isso. Segundo postagens nas redes sociais recentes de Ciro Gomes – que já está em plena campanha eleitoral para 2022 – o processo legal já foi iniciado, faltando agora, apenas, a mobilização popular.

Neste momento político que o país atravessa, o impeachment de Bolsonaro é mais do que necessário – é vital! O problema é quem assume com a sua saída. Porque tirar o “capitão” para colocar o “general”, é o mesmo que trocar seis por meia dúzia. Nada muda, uma vez que a ideologia de um e a mesma do outro. Então, estamos naquela “sinuca de bico”: Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come. Qual seria, então uma solução possível?

Bem, as soluções são muitas – bomba, veneno, leite com manga… Mas uma solução possível seria, sem dúvida, uma revolta popular sem precedentes na história do Brasil. Daquelas que nunca vimos efetivamente acontecer, porque, como diria Sérgio Buarque de Holanda, somos um povo “cordial” – não no sentido da afetuosidade da boa educação, mas no sentido da afetuosidade dos interesses pessoais, isto é, “aos amigos, tudo. Aos outros, a lei”.

Ficamos então, assim, como sempre, nas mãos dos poderosos; daqueles que têm poder de decisão. Poucas foram as vezes em que o povo, por meio de mobilização popular, mudou alguma coisa aqui no Brasil, principalmente na história recente. Senão vejamos: Aquilo que alguns chamam de Revolução de 64 não passou de um golpe militar; as Diretas Já foram organizadas por elites partidárias; o impeachment de Collor teve forte influência dos conglomerados de comunicação, assim como aconteceu com Dilma Rousseff, etc.

O povo mesmo – o “Zé Povinho”, como dizem alguns – que vive nas baixadas, nas favelas, nas periferias em geral, não está preocupado com mobilização social porque tem que voltar com o pão pra casa depois de uma dura jornada de trabalho. A dita “classe média” acredita que soltar memes, fakes news e xingamentos nas redes sociais é algo mais politizado e mais útil do que ir pra rua e “quebrar tudo” como os “baderneiros”. Finalmente, a classe alta, como sempre aconteceu, assiste a todo o espetáculo da plebe do alto de seus camarotes aristocráticos.

Fato é que, enquanto as pessoas não aprenderem, de uma vez por todas, que a política partidária – seja de direita ou de esquerda – é uma política perversa movida por interesses escusos, nada vai mudar. Isso não se trata daquelas velhas utopias anarquistas de um mundo idealizado “sem governo, sem polícia, sem patrão”. Trata-se de mostrar ao povo que ele é, sim, capaz de se autogerir sem depender do vereador, do prefeito, do governador, etc. reduzindo a atuação do Estado para o mínimo imprescindível, isto é, para o bem-estar geral da população.

Não vou me estender com exemplos de como isso poderia acontecer. Talvez fique para outro momento. Encerro por aqui dizendo que eu só tenho uma certeza em relação à situação do povo brasileiro na atual conjuntura: Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come. Mas se o povo se unir de verdade e do jeito certo, os bichos somem!

Os ecos da câmara de eco

Os sinais estão por toda parte. Eles estão aí para serem vistos, lidos, interpretados e para nos mostrar que tudo está conectado. Uma borboleta pousa displicentemente sobre um número 7 que está inscrito na placa de um carro. Mas o 7 não está só. Ele faz parte de um número maior: 971. Então, ao me deparar com essa imagem captada pelas lentes da artista plástica Renata Cabral para a capa do novo disco do poeta e cantador paraibano Júnior Cordeiro, um aluvião de ideias e imagens simbólicas toma conta do meu cérebro e eu, como mero aprendiz do Bruxo do Cariri Velho, tento decifrar mais uma vez os enigmas dessa feitiçaria meio cigana, meio cabocla-cibernética que o poeta nos apresenta.

A borboleta é o símbolo da transformação. O 7 é o número que traz a energia da análise, da introspecção; mas também é o número dos vícios, do sarcasmo e da solidão. O 7, inscrito numa placa de carro, também me faz recordar da carta de número 7 do Tarô, o Carro, com seu significado de vitória, triunfo e realização. E o número 971 tem a energia da soma dos seus algarismos que, pelas leis da Numerologia Pitagórica, resultam no 8 (971 = 9+7+1 = 17 = 1+7 = 8). O 8 é o número que representa o infinito e as verdades universais. Daí que, diante disso tudo, eu só posso enxergar que o disco de número 7 da carreira de Júnior Cordeiro, traz em si toda a energia das transformações infinitas pelas quais passamos nestes últimos tempos. Tempos marcados por uma pandemia virulenta que nos obrigou a todos (ou pelo menos à maioria) a vivenciar um estado de autoanálise e introspecção, presos nas cerquilhas das rashtags que nos encurralam e nos jogam numa #câmaraeco. Ainda que não tenhamos nos livrado completamente dos vícios do narcisismo causado pelas redes sociais; do sarcasmo dos nossos governantes e da solidão de um mundo conectado digitalmente e, ao mesmo tempo, tão desconectado afetivamente.

Então começo a ouvir o disco, que já está disponível em todas as plataformas digitais desde o dia 2 de janeiro e também em vinil 180g – como comemoração pelos seus 15 anos de carreira. O 7° disco de Júnior Cordeiro tem a produção musical dele e de Moisés Freire. Cordeiro também assina todas as composições e a direção musical, além de dividir os créditos da direção artística com a artista plástica Renata Cabral – a Renata, aliás, está de parabéns pela foto e concepção da capa. Cordeiro divide ainda os créditos de todos os arranjos das 13 músicas contidas no disco com os parceiros Moisés Freire, Cris Lima e o virtuose Giordano Frag.

Fotografia: Jordy Ribeiro

Todo o disco traz a marca da mistura do rock psicodélico com regionalismos que vem se consolidando em cada trabalho de Júnior Cordeiro. Musicalmente, é possível identificar toda a riqueza melódica e rítmica do cancioneiro tradicional popular nordestino, em especial os repentes e emboladas dos violeiros, bem como o estilo contemporâneo de nomes como Alceu Valença e Zé Ramalho, além do folk, do blues, do jazz e do rock mais pesado norte-americano. Cordeiro consegue captar e misturar muito bem, através de arranjos altamente criativos, as raízes culturais dos rios Hudson e Mississipi com as águas do São Francisco e do Paraíba.

Já em suas letras, autores importantes como Bauman, Dostoiévski, Foucault, Rousseau e Sérgio Buarque de Holanda, entre outros, dialogam tranquilamente com Cego Aderaldo, Zé Limeira, Patativa, etc. E é, justamente, nesse clima, que o disco é aberto com o rock psicodélico Não Faz Muito Tempo, que lembra muito os experimentalismos lisérgicos de Alceu Valença no show “Vou Danado Pra Catende”.

Na sequência, a belíssima Quando a Gente Ainda Revelava Fotos – de longe, a minha preferida! – com a presença marcante do cello de Lalá Oliveira que lembra as intervenções de violino do disco Desire, de Dylan (1976). Além de uma letra quase cinematográfica de tão imagética.

Apesar do disco ter sido todo composto, produzido e gravado em meio à pandemia de covid-19 que assola o mundo desde 2020, Junior Cordeiro diz que este não é um disco temático sobre a pandemia. Porém, como os trabalhos anteriores que ele vinha fazendo, #CâmaraEco traz como temática central pós-modernidade líquida e globalizante, o narcisismo e o individualismo hodierno – alguns dos assuntos preferidos do poeta. Mas, mesmo não tendo a pandemia como tema central ou pano de fundo, é impossível não fazer relações, como na música de trabalho Conexão Amor, que fala, sobretudo, das relações intensas vividas neste mundo líquido – como diria Bauman – e que podem se desfazer num clique ou numa queda de sinal do wi-fi.

A música de número 4 é, simplesmente, genial. Em O Vira-Lata do Sul, o poeta consegue fazer uma autocrítica de nossa brasilidade inspirado no modelo do “brasileiro cordial”, descrito por Sérgio Buarque de Holanda, e do nosso “complexo de vira-lata” cunhado por Nelson Rodrigues, numa letra atualíssima e vigorosa, que faz ferver nosso sangue latino, apesar do arranjo soul-funk americano e da guitarra matadora de Giordano Frag.

Aliás, antes de continuar falando das outras músicas, devo dizer que a banda base que acompanha Júnior Cordeiro está afinadíssima com a proposta do trabalho e consegue nos presentear com um som de primeira qualidade. A banda é formada por Moisés Freire (viola e guitarra); Giordano Frag (guitarras); Cris Lima (teclado e arranjo de cordas); Max Dias (baixo); Kamillo Lima (bateria); Sandrinho Dupan (percussão); Lalá Oliveira (cello) e Luiz Saraiva (flauta e sax).

Voltando à sequência das músicas, a quinta faixa, Retrotópica é um soco no estômago que entra com um peso quase heavy-metal e parece ser uma segunda parte de O Vira-Lata do Sul.

A sexta música, Ando Com Vontade de Ser Feto Novamente, é uma balada quase psicanalítica, marcada por um belo arranjo de sax, executado com maestria por Luiz Saraiva.

O Andarilho (Mourão Perguntado) é, como o nome já diz, inspirado num estilo de poesia popular nordestina onde dois repentistas dialogam através de perguntas. E a escolha de Cordeiro para fazer o duelo da cantoria nesta sétima faixa não podia ter sido melhor do que Silvério Pessoa (ex-Cascabulho), que trouxe um toque do bom e velho manguebeat pernambucano para o repente caririseiro de Cordeiro. Dá vontade de sair pulando numa roda de ciranda com maracatu.

A música de número 8 é #CâmaraEco. É ela que dá nome ao disco e, segundo Júnior Cordeiro, deve ser pronunciado “rashtag-câmara-eco”, numa clara crítica do artista à ditadura dos algoritmos das redes sociais, onde as coisas só ganham importância se vierem precedidas da cerquilha (#), este símbolo que nos cerca e nos tranca como num cômodo fechado, numa câmara de eco, onde tudo que ouvimos é apenas o discurso repetido do nosso Narciso a ecoar. E como todo o disco, essa música, em especial, mostra essa dissociação da realidade em que vivemos.

Este mesmo tema retorna brevemente na música de número 10, #mundo #medo #lindo e na música de número 13, que fecha o disco, #ressentida.

Em O Mundo Não Precisa Ver, Júnior Cordeiro revisita um estilo já explorado em discos anteriores: Uma balada romântica com leves toques de blues e jazz ressaltados pelo piano intimista de Cris Lima.

Na 11ª faixa, intitulada Só, Demasiado Só, temos também uma releitura de outros trabalhos anteriores de clara inspiração “ramalhiana”, com aquele compasso quase ibérico de canções como “Vila do Sossego” e “Falas do Povo”.

Por fim, na música de número 12, Uma Selfie para Sísifo, Cordeiro mostra a que veio numa música brevíssima, porém rica em ritmo, letra e melodia.

Como eu disse lá no início, os sinais estão em toda parte e eu penso que a minha leitura dos sinais que vi na capa de #CâmaraEco não poderiam ser mais claros: O sétimo disco de Júnior Cordeiro o coloca triunfante e vitorioso (como na carta O Carro, do Tarô), no hall dos grandes artistas da música paraibana contemporânea.
Para quem não conhece, vale muito a pena conhecer o trabalho do Bruxo do Cariri Velho. #FICADICA

Fotografia: Jordy Ribeiro

Ficha Técnica

Produção musical: Júnior Cordeiro e Moisés Freire
Direção musical: Júnior Cordeiro
Direção artística: Júnior Cordeiro e Renata Cabral
Foto e concepção da capa: Renata Cabral
Fotografia: Jordy Ribeiro
Gravado e Mixado entre julho e dezembro de 2020
Masterizado por Recomaster/São Paulo

Todas as canções são da autoria de Júnior Cordeiro

Arranjos: Júnior Cordeiro, Moisés Freire, Cris Lima e Giordano Frag

*Participação especial de Silvério Pessoa em O Andarilho (Mourão Perguntado)

Banda base
Moisés Freire: Viola e guitarra
Giordano Frag: Guitarras
Cris Lima: Teclado e arranjo de cordas
Max Dias: Baixo
Kamillo Lima: Bateria
Sandrinho Dupan: Percussão
Lalá Oliveira: Cello
Luiz Saraiva: Flauta e sax

Disponível em: https://open.spotify.com/album/13aXeNYDj6NpxVnEhjlOqL?si=vrvKppfmQLOTTiqlOB0k8g

A SITUAÇÃO TÁ FORD E A TENDÊNCIA É PIORAR!

A semana começou agitada e ainda com o gostinho amargo das más notícias de 2020: O Banco do Brasil anunciou, nesta segunda-feira (12/01), mais uma reestruturação que vai mexer com a vida de, pelo menos, 5 mil funcionários em todo o país. Serão 870 postos de atendimento fechados (incluindo agências e escritórios) e 243 agências transformadas em postos de atendimento (que agora se chamarão “lojas”). Além desses bancários, outros 5 mil trabalhadores da Ford ficarão sem emprego com o fechamento das 3 fábricas da gigante norte-americana que operam no país (uma no interior de São Paulo; uma no interior da Bahia e outra no interior do Ceará).
Mas podemos ficar todos tranquilos. Afinal, o Brasil que elegeu Bolsonaro em 2018 é um país de empreendedores. Assim, uma possibilidade seria: O pessoal da Ford no Ceará, monta uma grande companhia de humor ou um conglomerado de bandas de forró e arrocha. A turma da Bahia abre uma cooperativa para vender coco e o grupo de Taubaté cuida da logística dos artistas cearenses e dos vendedores de coco da Bahia. Daí, todo o dinheiro que conseguirem arrecadar pode ser investido numa corretora de investimentos cooperada montada pelos ex-bancários. Pronto! É a economia do nosso país cada vez mais forte! #SÓQUENÃO
O fato é que a situação está cada vez mais FORD e a tendência é piorar. Na verdade, a corja do Executivo está desmontando os poucos avanços no setor da indústria, que começavam a colocar o Brasil no hall dos melhores países emergentes, para transformá-lo novamente num país rural – mas não como outros grandes países que possuem um agrobusiness forte e, sim, aos moldes das antiquíssimas capitanias hereditárias.
Tendo que pagar os dotes da bancada ruralista, o governo brasileiro insiste em fazer do Brasil um país de insumos agropecuários, afugentando os grandes investidores dos outros setores (indústria e serviços) e desvalorizando a nossa moeda cada vez mais, a ponto do dólar não sair da casa dos R$5 e o euro da casa dos R$6.
Finalmente o plano do Paulo Guedes está dando certo: Está chegando o dia que nenhuma empregada doméstica, nenhum metalúrgico e nenhum bancário poderá passear na Disney. Quem quiser que se contente em atravessar a fronteira da Argentina ou do Uruguai pra comprar seu Ford Ka.

PS.: O Ford Ka vai sair de linha. Se você for uma empregada doméstica, um ex-metalúrgico ou um ex-bancário, pode comprar um semi-novo…

A SERINGA E A AGULHA NÓS JÁ TEMOS, SÓ FALTA O PRINCIPAL…

O pronunciamento do ministro da saúde Eduardo Pazzuello, hoje, não poderia ter sido mais vago e impreciso.

Enquanto a maioria da população aguarda ansiosa pela chegada da vacina contra a Covid-19, o Governo Federal, na pessoa do ministro, faz um pronunciamento que se resume em incerteza, propaganda ideológica e dados que não dizem nada com nada.

O ministro começa tentando amenizar as piadas de mau gosto e as declarações espúrias do presidente se solidarizando com as famílias que perderam seus entes queridos: “Senhoras e senhores, boa noite. Em nome do presidente da República, Jair Bolsonaro, e de todo o Governo Federal, gostaria de iniciar este pronunciamento me solidarizando com todas as famílias que perderam seus entes queridos por causa da pandemia da Covid-19”. Comovente…

Depois agradece aos profissionais de saúde e mostra valorização a uma instituição que há bem pouco tempo esteve na mira da privatização por este mesmo governo: “Também gostaria de agradecer a todos os profissionais de saúde que atuam incansavelmente para salvar as vidas de nossos cidadãos. Graças à dimensão do Sistema único de Saúde, o nosso SUS, mais de sete milhões de brasileiros estão recuperados”.

O próximo passo, depois de mostrar toda a sua humanidade e gratidão a quem realmente vem trabalhando durante toda a pandemia, foi lançar sutilmente a informação que todos esperavam: “Agradeço, também, aos técnicos e a toda a nossa equipe do Ministério da Saúde que têm se empenhado para que a vacinação esteja à disposição da população o mais rápido possível. Hoje, o Ministério da Saúde está preparado e estruturado em termos financeiros, organizacionais e logísticos para executar o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. O Brasil já tem disponíveis cerca de 60 milhões de seringas e agulhas nos estados e municípios. Ou seja, um número suficiente para iniciar a vacinação da população ainda neste mês de janeiro”.

Peraí, seu ministro! Quando é O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL? – Não há resposta.

E vejam que declaração feita com maestria para confundir a cabeça de todos que assistiram ao pronunciamento (inclusive a imprensa brasileira): O Brasil já tem disponíveis cerca de 60 milhões de seringas e agulhas nos estados e municípios. Ou seja, um número suficiente para iniciar a vacinação da população ainda neste mês de janeiro”.

Só não enxerga quem não quer: O que o ministro disse foi que O BRASIL TEM SERINGAS E AGULHAS DISPONÍVEIS em NÚMERO SUFICIENTE PARA INICIAR A VACINAÇÃO EM JANEIRO. Mas a pergunta é: QUANDO EM JANEIRO? EM QUE DATA? E, convenhamos, enquanto o Governo Federal não declarar oficialmente uma DATA, essa declaração não passa de mera especulação!

O ministro fala que o país vai receber seringas e agulhas nos próximos meses, mas a verdade é que uma data para o início da vacinação simplesmente NÃO EXISTE: “Temos, também, a garantia da Organização Panamericana de Saúde de que receberemos mais 8 milhões de seringas e agulhas em fevereiro, além de outras 30 milhões já requisitadas à Abimo, a associação dos produtores de seringas. Temos, hoje, 354 milhões de doses de vacinas asseguradas para 2021, sendo 254 milhões de doses pela Fiocruz em parceria com a Astrazeneca, além de 100 milhões de doses pelo Butantan em parceria com a Sinovac. Estamos em processo de negociação com os laboratórios Gamaleya, da Rússia; Janssen, Pfizer e Moderna, dos Estados Unidos e Barat Biotech, da Índia”. Resumindo: Só promessas e especulações. NÃO TEMOS VACINA AINDA.

O resto do pronunciamento trata de questões burocráticas como as negociações com a Pfizer: “Importante enfatizar, quanto à Pfizer, que já disponibilizou suas vacinas em vários países, mesmo em quantidades muito reduzidas, que o Ministério da Saúde está trabalhando com os representantes da empresa para resolver as imposições que não encontram amparo na legislação brasileira, dentre elas: A isenção total e permanente de responsabilização civil por efeitos colaterais advindos da vacinação; transferência do foro de julgamentos de possíveis ações judiciais para fora do Brasil e disponibilização permanente de ativos brasileiros no exterior para criação de um fundo caução para custear possíveis ações judiciais”.

Por fim, talvez para remendar a declaração do presidente sobre o Brasil estar “quebrado”, o ministro dá uma leve esperança para aqueles que verdadeiramente importam para o governo – os investidores: “Senhoras e senhores, o Brasil é o único país da América Latina que tem três laboratórios produzindo vacinas. Ou seja, seremos também exportadores de vacina para a nossa região muito em breve”. Mas até mesmo os investidores devem estar se perguntando: MUITO EM BREVE, QUANDO, SEU MINISTRO?

E como não poderia deixar de acontecer em governos tendenciosamente autoritários, o ministro dá a notícia de que: “Esta noite, o presidente da República assinou e enviou para publicação uma Medida Provisória que trata de medidas excepcionais para aquisição de vacinas, insumos, bens e serviços de logística, até a aquisição de serviços nas áreas de tecnologia da informação e publicidade. A norma também prevê: Coordenação pelo Ministério da Saúde da execução do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19; treinamentos de profissionais que vacinarão a população; contratação de vacinas e de insumos destinados à vacinação contra a Covid-19, antes do registro sanitário ou da autorização temporária de uso emergencial pela Anvisa”.

O presidente dos decretos, mais uma vez usa uma medida provisória como forma de mostrar poder ao declarar que vai passar por cima das normas da Anvisa. O curioso é que, até ontem, praticamente, a Anvisa é que era a grande guardiã zeladora da segurança dos cidadãos. E, agora, parece que sua função de protetora da população está se distorcendo para a função de entrave à vacinação.

O populismo e o discurso ideológico não poderiam ficar de fora no pronunciamento do ministro: “Asseguro que todos os estados e municípios receberão a vacina de forma simultânea, igualitária e proporcional à sua população. No que depender do Ministério da Saúde e do presidente da República, a vacina será gratuita e não obrigatória”.

Terminando assim o pronunciamento com um gostinho de fascismo: “Brasil imunizado! Somos uma só nação! Muito obrigado”.

De nada, seu ministro! O povo brasileiro só queria saber mesmo, afinal, qual é a data de início da vacinação…

2020: Temos o que comemorar?

A Arte de celebrar a vida

2020: Temos o que comemorar?

O ano de 2020 foi um ano bissexto, quer dizer, a cada quatro anos, temos um dia a mais no calendário, mais precisamente o dia 29 de fevereiro. Mas, calma! Geralmente é só isso que se repete a cada ano bissexto.
Segundo o horóscopo chinês, 2020 foi o ano do Rato, começando a 25 de janeiro. Na mitologia chinesa, o rato representa a criatividade; a solução de problemas; a imaginação; o trabalho hiperativo e respeitado por sua capacidade em resolver situações difíceis; a intuição, com a capacidade de adquirir e preservar coisas e valores… E, curiosamente, nunca precisamos tanto destas qualidades nos últimos cem anos, para conseguirmos superar como pudemos, este ano de 2020.
O sol entrou em Aquário a 20 de janeiro inaugurando, segundo alguns uma Nova Era que vinha sendo esperada desde os anos de 1960, quando, na letra de uma das músicas daquele inesquecível musical da Broadway, Hair, a Lua estaria na Sétima Casa e Júpiter, alinhado com Marte, guiaria os planetas à Paz e o Amor comandaria as estrelas… Tudo muito lindo, mas infelizmente… muito fantasioso.
O fato é que tivemos um ano bem difícil! Em janeiro, chegamos muito perto de uma 3ª Guerra Mundial, com ataques entre bases do Irã e dos Estados Unidos no Oriente Médio. Cerca de 500 milhões de animais completamente indefesos morreram numa série de incêndios na Austrália. O Reino Unido saiu, formalmente, da União Europeia e, em menos de uma semana, um tal de novo coronavírus infectou mais de dez mil pessoas e matou mais de 200. Em 30 de janeiro a Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou um “surto de doença respiratória de novo coronavírus em estado de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional.
Em fevereiro, o novo coronavírus chegou ao Brasil, com um primeiro caso na cidade de São Paulo.
No dia 11 de março, a OMS declara como “pandemia a doença do surto de novo coronavírus no mundo”. As reações são imediatas no incrível mundo globalizado: Os mercados de ações globais sofrem seu maior declínio em um único dia desde a segunda-feira negra de 1987. Era o primeiro sinal de desespero. Eventos como as Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2022; Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA; Campeonato Europeu de Futebol de 2020 e Copa América de 2020; Festival Eurovisão da Canção 2020 e até os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 são cancelados.
Em abril, no dia 10, o Brasil chegou às primeiras 1.000 (mil) mortes por COVID-19. Mostrando que isso não era só “uma gripezinha”, como insistia em dizer o presidente daqui… Enquanto isso, nos Estados Unidos, os casos confirmados de COVID-19 chegaram a 1 milhão, também mostrando que não era algo “inofensivo e passageiro” como insistia em dizer o presidente de lá…
Em maio, com 330 mil infecções, o Brasil superou a Rússia e se tornou o segundo país com mais casos confirmados de COVID-19 no mundo. E o presidente insistindo em minimizar a situação. Como se não bastasse, mais animais silvestres morrem, desta vez, no Pantanal Matogrossense.
Em junho, com mais de 41 mil mortes, o Brasil superou o Reino Unido e se torna o segundo país com mais mortes de COVID-19 no mundo. Mas o presidente e seu exército de fanáticos continuam negando a gravidade da situação. Já era 1 milhão de casos confirmados de COVID-19.
Em agosto, o número mundial de mortes causadas pela COVID-19 já ultrapassava a marca de 700 000 e o presidente da Rússia declarou que o país já havia aprovado a primeira vacina do mundo contra a doença. Mas até hoje não sabemos se era verdade ou só um porre de vodka do Putin…
Em setembro, o número mundial de mortes causadas pela COVID-19 ultrapassa a marca de 1 milhão.
Em outubro, o Brasil atingiu 5 milhões de casos confirmados de COVID-19 e superou as 150 mil mortes causadas pela doença. Como se não bastasse tanta tragédia ao longo do ano, ataques terroristas voltam a abalar a França pela selvageria – vítimas foram decapitadas na rua, em plena luz do dia.
Em novembro, finalmente, apesar de mais dias terríveis, sem luz, sem água, sem comida e sem dinheiro aqui no Amapá, começam a aparecer as boas notícias. Primeiro, Donald Trump perde as eleições nos Estados Unidos, não conseguindo se reeleger, apesar de até hoje estar esperneando e fazendo beicinho. Os fascistas apoiados por Bolsonaro levam uma surra nas urnas e quase nenhum dos vermes consegue se eleger para prefeito, vereador ou síndico de condomínio… Até que no dia 2 de dezembro o Reino Unido aprovou a vacina BNT162b2 da Pfizer, sendo o primeiro país do mundo a aprovar uma vacina contra a COVID-19.
Ainda em dezembro, no dia 21, Júpiter não se alinhou com Marte, como diria a música, mas com Saturno, num evento que só acontece aproximadamente a cada 400 anos. Os astrônomos disseram que se tratava do mesmo fenômeno astronômico descrito na Bíblia como a Estrela de Belém, que teria guiado os Reis Magos até a manjedoura onde acabara de nascer Jesus, o Cristo, cerca de 2020 anos atrás.
Talvez este evento sirva para lembrar – pelo menos aqueles que se importam com a magia da vida neste planeta – que, por mais que o ano tenha sido difícil, sempre há uma esperança. E a luz sempre acaba rompendo a escuridão, por mais assombrosa que ela seja.
Ao longo do ano, muita coisa boa também aconteceu, tanto individualmente como coletivamente. Nos primeiros meses, o isolamento social forçado pela pandemia ajudou a fazer com que a natureza voltasse a respirar um pouco e regenerasse seus recursos. Foram registrados altos índices de melhoria nas condições do ar e de muitos mananciais de água. Muitos gestos de amor ao próximo de anônimos se fizeram perceber por várias partes do mundo. Muitas pessoas reavaliaram suas vidas, seu valores, suas prioridades. Outras encontraram um sentido na vida em ajudar alguém. Pudemos perceber, pela primeira vez em anos – talvez em séculos – o quanto estávamos já isolados de nós mesmos e das coisas e pessoas que realmente importam nas nossas vidas e tivemos a chance de nos reaproximarmos de nós mesmos, de convivermos com nós mesmos, até de perdoarmos a nós mesmos…
Óbvio que para muitos o egoísmo continua prevalecendo. São aqueles que negam tudo o que aconteceu e ainda está acontecendo. São aqueles que se recusam a usar uma simples máscara. São aqueles que se recusam a tomar uma vacina que vai, se não acabar, pelo menos controlar mais um pouco o avanço desse vírus e desse caos. São aqueles que acreditam que o planeta é uma tábula rasa, que só o dinheiro salva e que comunista come criancinhas – quando na verdade, muito padre de reputação ilibada é quem está sendo preso por “comer” criancinhas a redor do mundo…
Ainda assim, acredito piamente que 2020 é um ano que tem muito o que comemorar. E mais! Que jamais deverá ser esquecido!
Perdemos e continuamos a perder muita gente querida. É triste. Mas eu aprendi que as coisas são como são. Simplesmente é assim. E temos que conviver com isso. Vamos sofrer? Vamos. E muito! Mas não tem nada errado em sofrer. As lições mais importantes da vida são aquelas que nos chegam geralmente pelo sofrimento e pela dor. Mas isso não é desculpa para querer deixar de viver. Muito pelo contrário. O que precisamos fazer é mudar nossa atitude perante a vida e aproveitar e celebrar cada minuto que temos como se fosse o último, seja por causa de pandemia, de guerra, de ataques terroristas, ou simplesmente pelas agruras do nosso cotidiano.

Pedra cantada… Pedra batida!

Eu sei que não dou o ar da graça por aqui já tem um tempo. Mas é que eu sei que blog é coisa que ninguém mais lê. Tanto que as últimas postagens desse blog se restringiram às postagens do Instagram (que poucos vêem também). Mas, foda-se, escrevo aqui quando me dá na telha como uma forma de masturbação mental, quando ainda quero provar pra mim mesmo que, como diria Raulzito, “trabalho em cartório, mas sou escritor…” (é parecido, trabalho em banco, mas fui jornalista e hoje nem sei mais…).

Enfim, duas postagens atrás, aqui mesmo, cantei as pedras para as eleições daqui de Macapá. De lá pra cá, muita coisa aconteceu (apagão, enchente, outro apagão, ciclone, mais covid) e as eleições foram adiadas. No geral, meus acertos foram maiores que meus erros, o que me mantém como candidato a babalaô. O único erro gritante que cometi foi com relação ao Dr. Furlan (nunca subestime um doutor, principalmente em épocas de pandemia), que na ocasião eu pensei ser só um figurante, mas acabou subindo para o segundo turno com o Josiel. O único candidato ainda digno de ser chamado de esquerda, o Capi, acabou ficando fora do páreo já de cara.

Mas na postagem de exatamente um mês atrás, o resumo era:

1- O candidato da situação será eleito. (Isso é válido agora no primeiro turno e também vale para o segundo)

2- O candidato da “oposição”, não tem chance de se eleger (aqui eu falava do Capi, mas é válido para o Doutor também)

3- O Brasil que elegeu o Bolsonaro, não permitirá que a “velha esquerda” se eleja nos próximos vinte anos (válido agora pro Capi e pra todos os outros – nos vemos em vinte anos).

Dito isto, considero que, no geral, acertei em minhas previsões e vocês (quem quer que um dia encontre e leia este blog) estão me devendo uma rodada!

Cantando as pedras – parte 2

Previously on Fuckin’ Life“…

Em relação às eleições 2020 para prefeitura de Macapá, eu “cantei” as seguintes pedras:

1- O candidato da situação será eleito em “Macapá em primeiro lugar”;

2- O candidato da “oposição” (se é que isso existe na política brasileira), mesmo tendo ainda um bom número do eleitorado, não tem chance de se eleger (mesmo chegando ao segundo turno e tendo apoio da “frente solidária” encabeçada pela casa Grifinória);

3- O Brasil que elegeu Bolsonaro, não permitirá que a “velha esquerda” se eleja pelos próximos vinte anos.

Dito isto, vejam que coisas interessantes saíram hoje nos noticiários:

O jornal O Globo traz o resultado da última pesquisa Ibope em 11 capitais do país e só confirma o que eu falei anteriormente. Claro que a Macapá não foi pesquisada (talvez por ser o… “meio do mundo”…), mas a pesquisa mostra as tendências no geral.

Segundo o jornal, os resultados das pesquisas indicam o desafio do PT e dos bolsonaristas do PSL, PRTB e Patriota em viabilizar uma campanha rumo ao segundo turno. Explico: No caso desses “bolsonaristas”, o jornal se refere aos “nutella” que só entraram na onda fascista de 2018. É aquele grupo que só sabe xingar de “petralha” aqueles que não concordam com eles. Não têm peso político.

A pesquisa mostra que em algumas capitais, como São Paulo, sequer há polarização entre esquerda e direita – a direita é quem leva mesmo e ponto final.

Os números mostram que os partidos do Centrão, isto é, esses sim os bolsonaristas “raíz” (aqueles que são os mais dissimulados, que não se dizem bolsonaristas na frente de câmeras e microfones) se saem melhor na primeira rodada de intenção de voto. Tá, eu explico melhor: A galera do tal “centrão” é como aquele filho que todo mundo sabe que é viado, mas ninguém toca nesse assunto, às vezes a mãe até arranja namorada pra ele, coitado… É aquele que fica em cima do muro. Ora! Se o país foi polarizado entre esquerda e direita, entre ambas, bem ao centro, existe um muro. É aí que esses urubus ficam à espera da carniça que melhor lhes apetece.

Dos líderes na pesquisa, quatro estão em legendas que compõem a base de apoio do governo. O PT tá mais perdido que filho de puta em dia dos pais vê o sucesso de candidaturas de partidos do mesmo “campo ideológico” (se é que isso também existe na política brasileira), como PSB, PSOL e PCdoB, em algumas poucas capitais (Recife, Belém e Porto Alegre), enquanto seus nomes isolados em algumas cidades patinam ou nem sequer pontuam. Ou seja, como eu disse anteriormente, a “velha esquerda” brasileira só vem perdendo espaço – e a tendência é piorar.

Outra notícia interessante foi publicada hoje no G1 local: “TRE-AP define tempo e ordem de candidatos no horário eleitoral em Macapá; 3 não terão exibição”.

Bem, de acordo com a hermética Resolução TSE 23.610/2019, a distribuição da propaganda ficou assim:

  • Josiel, da Coligação “Macapá em Primeiro Lugar”, lógico, ficou em “primeiro lugar” com 4 minutos e 18 segundos diários;
  • Guaracy, da Coligação “Deus, Pátria e Família” (que ninguém sabe nem quem é, mas é mais um da direita), ficou com 1 minuto e 27 segundos diários;
  • Professor Marcos, do PT vai ter 1 minuto e 18 segundos diários pra tentar convencer o povo que não é “petralha”;
  • Dr. Furlan, da Coligação “De Coração Por Macapá”, ficou com 1 minuto e 2 segundos diários;
  • O velho Capi, da Coligação “Frente Macapá Solidária”, vai ter que aprender uns truques com o pessoal da Grifinória pra conseguir aproveitar bem seus 49 segundos diários;
  • Paulo Lemos, da Coligação Macapá Para Todos Nós (nós quem, cara-pálida?), terá 34 segundos diários;
  • E Patrícia Ferraz, do Podemos, “poderá” usufruir apenas de 30 segundos diários.

Enfim, como diria meu amigo Elton Tavares do blogderocha.com.br, é isso!

Cantando as pedras

Não sou analista político – até poderia ser, mas a concorrência é muito grande nas redes sociais. Aliás, politicamente sempre me defini como anarquista – quem me conhece, sabe que já trabalhei para governos e atualmente trabalho em banco (dois grandes inimigos da ideologia anarquista), mas foda-se, a minha necessidade de sobrevivência é maior do que qualquer ideologia. Por aí, meu caro leitor, minha cara leitora, você já fica ciente de que o que eu falar aqui nesse texto não tem, na prática, valor nenhum, peso algum, autoridade teórica muito menos! Encare esse “textículo” apenas como uma conversa numa mesa de bar daqueles bem “copo sujo”…

Então… Como diria minha mulher, “2020: O ano que não existiu”, vai existir normalmente para a realização da eleição municipal em todo o Brasil – Afinal de contas, quantos não foram os benefícios políticos trazidos pela pandemia, não é verdade?! (Mas isso é assunto pra outro texto). Em Macapá, nesse 2020, a eleição vai acontecer no dia 15 de novembro (primeiro turno) e 29 de novembro (segundo turno, se necessário), para prefeito e vice, mais 23 desocupados vereadores.

O prefeito atual, Clécio Luís, por estar mamando exercendo seu segundo mandato consecutivo, não pode concorrer à reeleição, mas há meses já vem mostrando serviço pra deixar tudo bonitinho pro seu sucessor – obviamente ele sabe que o seu candidato será o seu sucessor, caso contrário a cidade não estaria esse canteiro de obras…

E é aqui que eu já vou entrando direto com os dois pés no assunto e “cantando as pedras desse bingo”. Sim, a cidade está um caos, mas é por um “bom motivo”: É que o Josiel Alcolumbre nunca exerceu cargo importante como o de prefeito de uma capital (acho mesmo que nunca exerceu cargo algum0. Então o Clécio já está deixando tudo pronto para o “marujo de primeira viagem”. Durante a campanha o discurso vai ser: “Vote no Josiel, pois ele dará continuidade ao trabalho do Clécio” (e muitos vão comprar essa ideia tosca). Depois que o Josiel assumir em 1° de janeiro, o discurso muda só um pouquinho: “Olha só como o prefeito Josiel está trabalhando! Asfalto novo, linha de esgoto… O Clécio começou, o Josiel concluiu”.

Nesse ponto você me pergunta como eu posso ter tanta certeza de que o Josiel será eleito, se praticamente ninguém sabe quem é o Josiel? Milagres da politicagem brasileira, minhas crianças! Senão, vejamos: Até bem pouco tempo atrás, Clécio era inimigo mortal do Valdez e da “única-dama” (“dizque”). Teve até “velório” do Clécio em praça pública, lembram? Em 2018, Clécio, junto com Harry Potter Randolfe e Davi Alcolumbre, fizeram uma falcatrua manobra política nos 40 minutos do segundo tempo e conseguiram reeleger o Valdez (com direito a sarrada no ar e na bunda do povo). Pronto, com a chegada da pandemia e das eleições, os dois caciques chegaram a um consenso e resolveram “superar as diferenças para o bem do povo” e o resultado foi colocar como fantoche candidato o irmão do Davi, o Josiel – paga-se a dívida de gratidão e o mesmo grupinho continua na mamata.

Agora, Randolfe, que jura ser “a voz ativa da esquerda no Senado”, deixou de lado por um tempo a “REDE de sustentação” da situação e foi para o “outro lado”, apoiar Capi.

Capi, mesmo tendo ainda um bom número do eleitorado, não tem chance de se eleger (mesmo chegando ao segundo turno) Pois, assim como em todo o resto do Brasil que elegeu Bolsonaro, candidatos da “velha esquerda” não se elegerão pelos próximos vinte anos – Não esqueçam que vivemos, infelizmente, uma nova era de conservadorismo que vai perdurar ainda por algumas décadas.

Quanto aos outros candidatos, talvez a Patrícia Ferraz consiga obter uma boa fatia dos eleitores, mas vai ficar em terceiro lugar – somente por ser uma estreante na política. Mas no segundo turno, também vai acabar levando seus eleitores para o lado do Josiel.

Quanto ao resto… Bem, o resto é resto: Professor Marcos do PT, vai virar saco de pancadas só por ser “da petralhada, tá OK?”; Gian Franco (PSTU) e Paulo Lemos (PSOL) são “café-com-leite”, porque ninguém engole mais papo de “comunista, tá OK?”; Guaracy (PSL) e Cirilo (PRTB); vão garantir a implantação de ideias fascistas no eleitorado – tudo para ninguém votar nos “vermelhinhos, tá OK?”. Por fim, Dr. Furlan (Cidadania) e Haroldo Iram (PTC), serão apenas os figurantes dessa tragicomédia.

Então é isso. Se eu acertar essas previsões, vocês me pagam uma rodada!

eleições | Portal Anarquista

Pequena heresia sem nome

Aprenda a superar a ressaca moral.

Pagou a conta da luz: e eis que foi o primeiro dia. Pagou a conta da água: e eis que foi o segundo dia. Pagou a conta da mercearia, onde comprava ervas e todos os tipos de alimento: e eis que foi o terceiro dia. No quarto dia, pagou a conta do clube, onde se banhava ao sol e o fiado do bar, onde namorava a lua e as estrelas de suas noites solitárias. No quinto dia, pagou o peixe e o frango que estava devendo no açougue. No sexto dia, levou o cão para passear e brigou com a ex-mulher, aquela falsa ardilosa. No sétimo dia resolveu descansar e tomou um porre daqueles. No dia seguinte, de ressaca, Ele criou o domingo…