PROBLEMA CRÔNICO

“Crônica” é uma palavra interessante. Pode ter o sentido de fato, registro, relatório, reportagem. Mas também pode significar algo incurável ou recorrente. O que eu tento é escrever sobre fatos, registrar observações e devaneios, relatar coisas cotidianas… mas percebo que os significados menos “nobres” também acabam fazendo parte deste meu hobby. Assim, sou um jornalista “incurável” que tem um problema “recorrente”: tentar escrever bons textos. Busco me esmerar nesse ofício, me espelhando em mestres como Rubem Braga, Vinícius de Moraes, Luis Fernando Veríssimo e tantos outros que costumo ler diariamente. Mas é uma tarefa árdua.

Às vezes me sinto na obrigação de escrever diariamente sobre qualquer coisa. Mas quando me sento diante do computador e começo a buscar ideias para um bom texto, nem sempre sai algo que eu considero aproveitável. Então eu me retraio e nada mais escrevo.

Esta crônica que tento (com muito custo) terminar de escrever não é algo importante. Não se trata de um relato importante ou um registro de algo que desperte o interesse de quem quer que seja. É, antes, um desabafo de alguém que deseja resolver com urgência um PROBLEMA CRÔNICO: Escrever bem e cada vez melhor.

23 de novembro de 2011

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Obsolescências

Não quero me obrigar a nada. Muito menos a escrever neste velho blog. Sim, velho. Porque tudo hoje se torna velho numa velocidade espantosa. Envelhecemos à velocidade da luz. Tudo que nasce agora perderá o sentido, não foi? Por exemplo, eu estou escrevendo um texto num já obsoleto notebook que perdeu seu lugar para o tablet. E quando eu finalmente conseguir juntar dinheiro para dar entrada num tablet, este já será também ultrapassado e meu filho vai ficar rindo da minha cara por eu não saber como operar essa nova maravilha da tecnologia.

Mas falar de tecnologias que se tornam obsoletas é fácil. Difícil mesmo é aceitar que envelhecemos rapidamente e que nós próprios nos tornamos obsoletos.

Ora, vejam! A quem eu quero enganar com esse papo furado? Estou aqui no meio da madrugada tentando achar algo interessante para fazer e, quando tento escrever alguma coisa aqui para este blog, percebo que os blogs já estão ultrapassados e que, provavelmente, ninguém vai se dar ao trabalho de ler um texto com mais de 140 caracteres. Ler um texto que supere esse número de dados representa perda tempo, pois, hoje, 140 caracteres são tudo o que as pessoas precisam para se informar, se entreter, desabafar, interagir, flertar, etc. Ninguém tem mais tempo para perder com textos “muito longos”. Se você parar para ler um texto com mais de um parágrafo você já está ficando velho e sendo deixado para trás nessa corrida vertiginosa por informação que, no final das contas, mais deforma do que informa. Mas pelo menos você estará “antenado” com o que acontece no mundo todo: Quantas vezes o seu ídolo foi ao banheiro hoje? Quantos se empenharam em discutir alguma coisa que valesse a pena?

Não quero me obrigar a nada. Muito menos a escrever neste velho blog. Estou cansado e só preciso agora de uma boa noite de sono. Mas antes acho que vou ler mais um pouquinho aquele livro antigo com “200 Crônicas Escolhidas”, do Rubem Braga, que a minha doce amada me emprestou. Pois Rubem Braga não fica obsoleto nunca!

Tirando a poeira

Depois de um bom tempo sem alimentar este pobre blog carente, eis que agora passo por aqui para dar uma espanada, tirar a poeira e dar uma lustradazinha básica…

Ao longo desses longos dias em que passei afastado daqui – por motivos meramente preguiçosos – alguns amigos que costumavam ler esse blog sempre me perguntavam (e até me cobravam) um retorno em breve. Mas o fato é que, quando lancei esse blog, no final de 2009, resolvi batizá-lo pelo nome de “A Vida é Foda” porque, na época (e ainda por muito tempo) minha vida realmente estava FODA! – Mas era a vida. O que se há de fazer? Mas, agora, minha vida está é ÓTIMA! – melhor não poderia ficar: Encontrei o verdadeiro amor da minha vida; tenho agora uma nova carreira a seguir; novos planos; vida nova (e tudo isso antes mesmo de chegar o Ano Novo, quando todas as pessoas se preparam para as grandes mudanças). – E essa coisa toda de blog perdeu o sentido, de certa forma…

Mas a minha vontade de escrever às vezes volta com toda força. Mesmo assim, como eu tenho coisas muito mais importantes a fazer ultimamente do que perder alguns preciosos minutos de minha vida escrevendo e, desde o início, eu avisei que só escreveria aqui quando me desse na veneta, não me sinto culpado em largar este espaço às traças, de vez em quando.

Perdi de vez o tesão pelas bobagens que se propagam vertiginosamente pela internet – principalmente pelas redes sociais. Penso, de fato, que a maioria dos brasileiros ainda não sabe usar a rede com proveito. Mas não é sobre isto que quero falar agora. Aliás, nem sei mesmo ao certo o que eu queria falar… Ah, já sei! Só passei mesmo para tirar as teias de aranha e avisar que estou muito bem, obrigado. Voltarei a escrever logo em breve. Agora tenho mais mil beijinhos para dar em minha amada e fazer mil novos planos para o meu futuro. Abraço a todos!

Ensaio sobre o Anarquismo (parte 1)

Após um bom tempo sem atualizar este blog – período de reciclagem interna – resolvi abordar um tema que sempre me fascinou: O Anarquismo. Justamente por ser uma teoria política tão polêmica e contestada, é que talvez esta sempre tenha sido a minha preferida, dentre todas as correntes do pensamento social moderno.

Neste artigo eu pretendo abordar alguns aspectos gerais do Anarquismo – principalmente para aqueles que o desconhecem. É um absurdo, por exemplo, que nas escolas, os professores de História simplesmente ignorem esse capítulo tão importante para formação e informação da sociedade em geral.

Por que resolvi falar sobre isso? – Porque ultimamente eu venho percebendo algumas coisas acontecerem ao redor do mundo contemporâneo que me levam a pensar no Anarquismo como uma alternativa real para a humanidade. Senão vejamos: sustentabilidade, consciência ecológica, liberdade de expressão, defesa das minorias e pluralidade de gêneros, entre outras coisas, sempre foram bandeiras levantadas pelos anarquistas ao longo da história, ao passo que, em nome da democracia (de direita, de centro ou de esquerda), o estado, bem como instituições atreladas a ele, se acham no direito de controlar a vida de todos.

Assim, esse estudo superficial sobre o Anarquismo pretende, de forma clara e esclarecida, da forma menos utópica possível, trazer uma nova luz sobre a importância das teorias anarquistas para o mundo de hoje. Além disso, este artigo are os trabalhos de um novo blog chamado Vou Livre, que tratará sobre questões relacionadas à cultura libertária de um modo geral – aproveite para visitar e comentar o link ao final deste texto.

 

Vamos começar pelo começo…

A palavra Anarquismo vem do grego anarkhos, que significa “sem governantes”, que por sua se constitui do prefixo an-, “sem” + arkhê, “soberania, reino, magistratura” + o sufixo ismós, da raiz verbal izein. É, portanto, desde sua etimologia, uma filosofia política que engloba teorias, métodos e ações que objetivam a eliminação total de todas as formas de governo compulsório. Isso é importante esclarecer, pois, muitos opositores do Anarquismo e até mesmo muitas pessoas que se dizem anarquistas, costumam acreditar que o Anarquismo não é uma forma de se fazer política, sendo que, aqueles que se recusam a fazer política ou não se interessam por política são, na verdade, apolíticos – ou para usar um termo bastante difundido pelo teórico socialista Karl Marx, alienado. Diante do conceito etimológico da palavra, é importante deixar claro que Anarquia significa ausência de coerção e não a ausência de ordem.

A noção equivocada de que Anarquia é sinônimo de caos se popularizou entre o fim do século XIX e o início do século XX, através dos meios de comunicação e de propaganda patronais, mantidos por instituições políticas e religiosas. Nesse período, em razão do elevado grau de organização dos segmentos operários, de fundo libertário, surgiram inúmeras campanhas antianarquistas.

Outro equívoco banal é se considerar Anarquia como sendo a ausência de laços de solidariedade (indiferença) entre os homens – como se a Anarquia conduzisse ao egoísmo exacerbado dos indivíduos. À ausência de ordem – ideia externa aos princípios anarquistas -, dá-se o nome de “anomia”.

Passando da conceituação do Anarquismo à consolidação dos seus ideais, existe uma série de debates em torno da forma mais adequada para se alcançar e se manter uma sociedade anárquica. Eles perpassam a necessidade ou não da existência de uma moral anarquista, de uma plataforma organizacional, questões referentes ao determinismo da natureza humana, modelos educacionais e implicações técnicas, científicas, sociais e políticas da sociedade pós-revolução. Nesse sentido, cada vertente do Anarquismo tem uma linha de compreensão, análise, ação e edificação política específica, embora todas vinculadas pelos ideais-base do Anarquismo. O que realmente varia, segundo os teóricos, são as ênfases operacionais. (continua em http://voulivre.wordpress.com/)

Um tema difícil…

Depois de muito tempo sem a mínima inspiração para escrever e atualizar o blog, resolvi falar um pouco sobre um tema difícil…

Na verdade, esse tema é bem difícil para aqueles que se dizem “roqueiros”. Mas bastante fácil para quem, assim como eu, cresceu ouvindo um pouco de tudo e tem como principal referencial de “boa música” simplesmente aquilo que lhe soa bem aos ouvidos.

Eu, por exemplo, aprendi essa lição com meu pai que, desde cedo me ensinou a ouvir (e curtir!) nomes como Bach, Beethoven, Elvis Presley, The Beatles, Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Clara Nunes, Raul Seixas, Black Sabath, Pink Floyd, Rush, Roberto Carlos… A lista é imensa, assim como é imensa também a diversidade de estilos musicais que sempre ouvi na pequena (porém preciosa) coleção de LPs do meu pai.

Aí, hoje, eu fico vendo as transmissões do Rock in Rio… E num giro rápido pela net ou mesmo ouvindo as opiniões inflamadas de amigos e pessoas próximas, vejo a indignação das pessoas por causa das atrações menos… “ortodoxas”, digamos assim. Este ano o evento trouxe em sua programação nomes como Milton Nascimento, Maria Gadú, Claudia Leitte, Katy Perry, Rihanna, Ke$ha, Ivete Sangalo, Shakira, entre outros. Os “roqueiros puristas” (se é que podemos chamar assim), ficaram indignados pelo fato desses nomes citados não serem rock e isso tudo ser uma grande “incoerência” com o evento.

Basta lembrar um pouco da história do próprio festival:

O Rock in Rio é um festival de música idealizado pelo empresário brasileiro Roberto Medina e realizado pela primeira vez em 1985, no Rio de Janeiro. Ao longo da sua história, o Rock in Rio teve nove edições, três no Brasil, quatro em Portugal e duas na Espanha. Em 2008, foi realizado pela primeira vez em dois locais diferentes, Lisboa e Madrid.

Graças ao enorme sucesso do evento original, Medina promoveu o Rock in Rio II (91) e o Rock in Rio III (2001).

Rock in Rio foi internacionalizado em 2004 com a primeira edição do Rock in Rio Lisboa, em Portugal. Entretanto, a mídia brasileira e o público foram totalmente contra a realização do festival naquele país, mas ignorados devidos a pensamentos ambiciosos por parte de Roberto Medina.

Em 2006 e 2008, foram realizadas a segunda  e a terceira edição do Rock in Rio Lisboa e , no mesmo ano, foi realizada a primeira edição do Rock in Rio Madrid, na Espanha.

A primeira edição do evento, no Rio de Janeiro, em 1985, contou com nomes como: AC/DC, Os Paralamas do Sucesso, Iron Maiden, Barão Vermelho, James Taylor, Ivan Lins, Ozzy Osbourne, Pepeu Gomes, Queen, Rod Stewart, Scorpions, Yes e Whitesnake. Com certeza a versão mais “roqueira” do evento até hoje.

A segunda edição trouxe: Guns N’ Roses, Faith No More, Sepultura, Happy Mondays, Titãs, Judas Priest, A-ha, Debbie Gibson, Megadeth, Engenheiros do Hawaii, George Michael, Lobão, Queensryche, Moraes Moreira e Pepeu Gomes e Billy Idol. Também se apresentaram pela 1ª vez no Brasil o grupo New Kids On the Block (muito contestado por fãs do verdadeiro “Rock and Roll”, no aeroporto Internacional do Rio de Janeiro), Information Sociaty, Lisa Stanfield entre outros.

O Rock in Rio III trouxe aos palcos: Iron Maiden, Sepultura, Rob Halford, Guns N’ Roses, Papa Roach, Oasis, Pato Fu, R.E.M., Ira! & Ultraje a Rigor, Foo Fighters, Capital Inicial, Silverchair, Cássia Eller, Sandy e Junior, Britney Spears, Red Hot Chili Peppers, Carlinhos Brown, Oficina G3 e Os Nazaritos (estas duas últimas, bandas “gospel”)

Pra finalizar o histórico, é bom lembrar que o hino do festival é de autoria do compositor Nelson Wellington e do maestro Eduardo Souto Neto e foi gravado originalmente pelo grupo Roupa Nova.

Como se pode ver pelos nomes das diversas atrações que se apresentaram só aqui no Brasil, o Rock in Rio não é um festival de rock, mas de música em geral, para todos os públicos. Simplesmente não dá pra querer comparar um evento mercadológico desse tipo com Woodstock ou o White Island Festival, até porque estes também foram festivais de música em geral e não só de rock.

O grande problema é que boa parte dos chamados “roqueiros” são radicais, preconceituosos e limitados em aceitar a diversidade musical (incluindo a do seu próprio país).

Eu, particularmente, não sou consumidor dos trabalhos de Sandy e Junior, Britney Spears, Oficina G3 Cláudia Leite ou Ivete Sangalo. Mas não me espanto com esses nomes inseridos no Rock in Rio. Simplesmente porque a música, no mundo todo, está ficando cada vez mais misturada e “inrotulável” (para usar um neologismo). Eu não me espanto, por exemplo, com declarações como a de Paula Fernandes, que declarou ao site TopTVZ, do Canal Multishow, que é fã do Metallica ou de Nando Reis, em recente entrevista à revista masculina Playboy que disse não gostar de ouvir bandas de rock brasileiro.

Alguns meses atrás, pelo Facebook, andou circulando uma foto de Chimbinha (Banda Calypso) usando uma camisa de uma banda de Death Metal. E daí se o cara curte um som mais agressivo e ganha sua grana com um ritmo de apelo extremamente popular? – E olha que ele é um exímio guitarrista, mas parece que os “roqueiros puristas” tem isso como um sacrilégio!

Anos atrás, numa entrevista exibida no programa da Xuxa, na Rede Globo, Durval Lélis, vocalista da banda de axé Asa de Águia, revelou que a banda começou na adolescência tocando punk rock. Muitos punks, na época, ficaram literalmente “de cabelo em pé”. e por aí seguem os exemplos.

Quando vejo essas opiniões inflamadas, costumo pensar o que seria da nossa música brasileira, tão rica e diversa – e, por isso mesmo tão apreciada lá fora – se Raul Seixas, junto com a turma da Jovem Guarda e do Tropicalismo não tivessem incorporado a guitarra elétrica nessa salada cultural, mesclando rock com bião, reggae e iê, iê, iê. Ou se Chico Science, Marcelo D2 e Los Hermanos não tivessem tido a ousadia de misturar maracatu com música eletrônica, hip-hop com samba e bossa-nova com rock, respectivamente.

Penso que é hora de se libertar das amarras do preconceito e abrir os ouvidos para aquilo que lhe soe bem aos seus ouvidos. Que cada um possa curtir a sua “onda” em paz, enquanto empresários como o sr. Medina conta seu rico dinheirinho. E o resto é papo furado!

 

Comendo Rubem com suco de manga

Já são 14:11h e eu não tenho a mínima fome. Enquanto muitos já almoçaram – alguns sozinhos, outros em família – e outros continuam na peleja por um punhado de comida para matar a fome, eu – após uma noite de amor e de excessos – só tenho sede. Assim, resolvo me alimentar apenas de suco de manga e crônicas de Rubem Braga, que leio avidamente num livro que reúne duzentos de seus melhores textos.

Enquanto saboreio cada palavra, tento aprender um pouco com seu estilo narrativo, seu discurso direto, seus parágrafos reticentes, seus diálogos contundentes…

E assim vou comendo Rubem com suco de manga, enquanto penso como é maravilhosa a alquimia das palavras. Penso em toda a história da humanidade que nasceu muda e que só milhões de anos depois veio descobrir a beleza de transformar gestos e grunhidos em expressões corporais e palavras significantes. Quanto prazer não deve ter sentido o primeiro homem que descobriu a tinta – numa mistura de sangue e banha animal com seiva de plantas – e com essa mesma tinta conseguiu representar pela primeira vez as cenas de caça que faziam parte do seu cotidiano! Quanto prazer não deve ter sentido aquele simples homem sumério que talhou um símbolo após outro naquele pequeno bloco de argila, dando, assim, origem ao primeiro alfabeto! Ah, os alquimistas das palavras! Seres fabulosos de espírito e inteligência que souberam como ninguém unir umas letras às outras e formar palavras. E depois agruparam estas mesmas palavras em frases e períodos. E depois estas frases e períodos se tornaram parágrafos. E esses mesmos parágrafos deram origem a opúsculos e tomos inconcebíveis pela mente primitiva que descobriu a tinta e inventou as gravuras…

Para mim não há alquimia mais bela que a das palavras – sejam estas expressas em versos, prosa ou canções. E Rubem era um desses mestres alquimistas, que durante toda sua vida soube captar a quintessência da vida, colocá-la para ferver no cadinho de sua criatividade sempre em ebulição e nos proporcionar seus elixires mágicos em formato de palavra escrita.

Este foi um dos melhores almoços de minha vida. O dia em que comi Rubem com suco de manga…

A goiabeira mágica

Pausa para o café. No quintal da repartição tem uma goiabeira mágica. Sim, mágica. Porque todas as vezes que eu a contemplo, ela tem o poder de me levar pelas asas do tempo, de volta aos meus dias de criança, quando eu costumava passar minhas férias escolares na casa da minha avó materna.

De repente eu começo a ver aquele menino moreno, barrigudinho, de cabelos encaracolados, correndo de pés descalços, só de cueca, pelo quintal da casa da vovó. O menino olhava com olhinhos brilhantes para o alto daquela goiabeira, em busca da goiaba mais docinha e subia rápido como um sagui por entre os galhos finos – porém resistentes – da frondosa árvore. E lá em cima ficava por horas intermináveis.

Às vezes, quando o menino aprontava muito, os galhinhos finos daquela mesma goiabeira eram usados como açoite, que chegavam a zunir no ar, antes de estalar nas pernas e na bunda do menino traquinas – isso, claro, quando conseguiam alcançá-lo!

De repente, acordo e volto à realidade dos dias atuais. Percebo que o menino barrigudinho sumiu; que a goiabeira morreu; que a casa da avó materna não existe mais…

Olho para o copo de café e percebo que este também acabou, assim como também acabou a pausa no trabalho. Hora de recomeçar…